Abraham Shapiro - A atitude financeira abundante
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domingo, 11 de outubro de 2015
Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina 
A diarista que cuida da minha casa chama-se Luzia. Numa manhã dessas, antes de começar o trabalho, ela entrou no assunto da crise. Eu quis saber o que ela acha. Veja sua resposta:
- "Sr. Shapiro, quando eu era criança, a minha família morava no nosso sítio. O meu pai trabalhava de sol à lua todos os dias. Tínhamos uma horta, criávamos vaca, boi, porco, galinha e, mesmo assim, comíamos carne somente uma ou duas vezes por semana. Meu pai teve a mesma caminhonete por mais de quinze anos. Nossos móveis foram os mesmos por décadas. Agora, é tanta propaganda que todo mundo quer trocar de carro a cada dois ou três anos, comer em restaurante e fazer churrasco com cerveja todo final de semana. Qualquer casebre tem um televisor de 40 polegadas do mais caro e ar-condicionado. Tem móveis, fogão, geladeira, micro-ondas e outros eletrodomésticos da melhor qualidade. E quando dá defeito, tem quem prefira comprar outro. Isso não dá pra sustentar. E com cartão de crédito é pior ainda. E se perder o emprego, quem paga a conta?"
Eu parei para ouvir o que me pareceu a aula mais prática de economia que jamais tive.
Após a Guerra do Vietnã, refugiados imigraram para os Estados Unidos. Eles moravam em casebres de palafitas em seu país.
Muitos iniciaram a vida no Novo Mundo a duras penas, e saíram-se bem.
Como? O que fizeram?
Eles vinham de um país onde fazer um atendimento errado podia significar a morte. Na América, o pior que podia acontecer era uma reclamação.
Eles não nutriam saudades. Estavam agradecidos o tempo todo por viver e poder trabalhar. Seu comportamento era positivo e criativo.
Moravam duas ou três famílias num cubículo. Começavam ganhando um salário-mínimo, juntavam todo dinheiro que podiam e, quando conseguiam o suficiente, compravam um negócio para toda a família trabalhar. Depois adquiriam um imóvel, e outro, e assim iam para frente.
O sucesso era uma possibilidade. Por isso, sofriam para atingir o objetivo da abundância com que podiam sonhar.
Agora que estamos em crise, a pergunta a ser feita é: "Quanto esforço estamos dispostos a investir para diminuir os prazeres que tínhamos antes e realizar os nossos objetivos, já que o dólar caminha para R$ 5, e nada mais é ou está como foi no passado recente?"


