A imagem que vem à memória quando se fala de um contador é a de um profissional que ficava sentado atrás de uma mesa envolto a pilhas e pilhas de papéis fazendo lançamentos dos fatos ocorridos num livro caixa e manipulando uma calculadora para somar os percentuais do fisco.
Antigamente o profissional de contabilidade era conhecido como 'guarda-livros'. Era ele o responsável pela escrituração dos livros mercantis das empresas comerciais, e carregava o estigma de que o contador era um mero despachante do fisco.
Com a evolução dos tempos e as mudanças no cenário econômico mundial o perfil do contador foi se modificando, bem como o reconhecimento pela classe. E o ano de 2011, de acordo com levantamento realizado pela Robert Half, promete ser bastante positivo para os profissionais da área. A pesquisa desenvolvida com 1,9 mil empresas em 10 países revelou que 39% das companhias instaladas no Brasil pretendem aumentar a equipe nos próximos meses. O motivo principal, apontado por 62% dos entrevistados, é a ampliação dos negócios. O País tem, atualmente, 417 mil contabilistas e 70 mil empresas contábeis.
De acordo com Jair Gravena, coordenador em exercício do curso de Ciências Contábeis da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o contador deixou de ser visto apenas como um profissional do fisco e passou a ser visto pelos empresários como um colaborador de melhoria na produtividade e na lucratividade das empresas. ''As informações repassadas por ele deixaram de ser baseadas no passado e hoje refletem o progresso e estabilidade da organização como um todo'', afirma.
Ele relaciona a procura por profissionais e a evolução da carreira a parcerias estabelecidas entre as universidades e os conselhos de classe, que começaram a trabalhar a mudança desse rótulo negativo desde os bancos escolares. ''A demanda por profissionais começou a ser revertida a partir de 2002, quando a qualidade na auditoria passou a ser mais rigorosa e as corporações passaram a buscar profissionais mais qualificados, e se estreitou quando o País se viu obrigado a equiparar as estruturas das demonstrações financeiras com os padrões internacionais'', explica.
A mesma opinião compartilha Marcelo Molina, coordenador do curso de Ciências Contábeis da Unopar, que credita o aquecimento no setor, também, à garantia que o mercado oferece ao profissional. ''As demonstrações financeiras que eram apuradas pelas multinacionais tinham que sofrer uma adequação para serem apreciadas pelos investidores. Com a adequação dos padrões, as informações passaram a ter mais clareza e os investidores perceberam que o Brasil é um país rentável e isso colabora para as contratações'', reitera.
Na região, como explica Eduardo Nascimento da Costa, coordenador do curso de Ciências Contábeis da Unifil, os grandes empregadores são os escritórios de contabilidade e as grandes empresas. ''Mas a carreira é promissora também na área financeira, gerencial, em auditoria, consultoria, perícias judiciais, construção civil, comércio e indústria, prestação de serviços e órgãos públicos. O mercado contábil é um campo que oferece um leque muito vasto para atuação'', garante.
A média salarial de um profissional de contabilidade que possua responsabilidade técnica-profissional junto a uma empresa é de R$ 4 mil. ''Valor este que poderá ser majorado dado a complexidade das atividades, considerando o previsto na convenção coletiva do sindicato correspondente à área de atuação'', informa Dirceu Zonatto, gerente de fiscalização do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná.

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