Um novo olhar sobre empreendimento. É assim que muitos especialistas encaram o presente, quando consideram os desejos da nova geração de profissionais.
Os millennials, também conhecidos como geração Y, são aqueles nascidos entre as décadas de 80 e 90, e são tidos atualmente, como "donos" de um comportamento diferenciado.
Ao contrário das gerações anteriores, eles compartilham, pensam coletivamente e buscam trabalhos com propósito e impacto positivo para a sociedade. Sob essa realidade, surgem cada vez mais os empreendimentos sociais.
Schirlei Mari Freder, docente do ISAE/FGV e membro do projeto de Empreendedorismo Social, diz que o tema ficou por muito tempo, vinculado ao "não ganhar dinheiro".
"Mas não é isso. Nesse modelo, há remuneração, só que o objetivo principal é transformar uma determinada realidade, seja social, ambiental ou cultural. É diferente por exemplo, de uma ação social dentro de uma empresa privada", comenta.
O administrador e empreendedor social, Marcus Barão, de 27 anos, acrescenta que há uma, duas décadas atrás, a única alternativa para se trabalhar socialmente, era por meio da filantropia, caridade, política pública ou assistência social.
"Todos esses meios cumprem um papel muito importante, no entanto, muitos não são sustentáveis a longo prazo. A proposta do empreendedorismo social é justamente somar e preencher essa lacuna", sustenta.
Segundo ele, o conceito de negócios sociais envolve uma perspectiva da sustentabilidade. "É empoderar pessoas e incluir comunidades de baixa renda. É gerar benefício e ter um retorno financeiro. É um modelo em que a proposta de valor não é só a lucratividade. Ela é atribuída ao impacto social", completa.
Barão explica porém, que existem modelos de negócios. Um deles é aquele semelhante a uma empresa, em que se comercializa um produto ou serviço, apesar do valor central ser o impacto social.
Há também, o modelo que distribui lucro, ou seja, a finalidade segue social, mas há investidores e geração de capital, que passa a ser distribuído ou reinvestido.
Por último, são os modelos de organização social, como ONGs ou OSCIPs (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), que dependem de doações e não distribuem o lucro.

EMPODERAMENTO

A Aliança Empreendedora, fundada em 2005 por um grupo de jovens paranaenses, trabalha com diversas frentes de negócios sociais. Hoje, possui escritório também em São Paulo e Salvador, e tem abrangência em 19 estados brasileiros, além de países como Espanha, Turquia, Peru, França, Noruega, entre outros.
Barão, que coordena a equipe de Parceira e Oportunidade de Impacto da Aliança,
explica que a empresa trabalha com um conjunto de metodologias para atender diferentes grupos, como, por exemplo, indígenas, mulheres e imigrantes.
E uma de suas unidades de negócios é a inclusão empreendedora. "Identificamos uma situação de vulnerabilidade social e captamos recursos com entidades ou concorremos a editais, ou ainda, um determinado setor de uma empresa nos apoia com capital".
A Aliança também atende grandes empresas com consultorias para melhorar a cadeia produtiva, ou seja, desenvolvendo modelos de negócios inclusivos. "É uma relação onde todo mundo ganha. A empresa, o consumidor e o colaborador", comenta.
Barão ainda cita o trabalho de disseminação da causa, colaborando com a formação de empreendedores. "Acreditamos que todos podem empreender. O empreendedorismo é uma ferramenta importante de inclusão e empoderamento social e econômico", conclui.

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