A favor da certificação
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Até o final do ano, o Governo Federal deve implementar a chamada Rede Certific. Segundo Luiz Augusto Caldas Pereira, diretor de formação de políticas de educação profissional e técnica do Ministério da Educação (MEC), a rede consistirá de um sistema de certificação para pessoas que dominam um ofício, mas que aprenderam sobre ele na prática e não em uma escola formal. A portaria interministerial que vai regular o assunto deve ser assinada ainda neste mês.
''Será um processo de avaliação para conferir formalidade a um conhecimento que foi adquirido fora da escola. O registro será equivalente ao de um certificado de escola técnica'', afirma Pereira. De acordo com o diretor, essa certificação será feita conforme níveis de conhecimento. As avaliações serão aplicadas por instituições que aderirem à rede. Segundo Pereira, as principais entidades que atuarão nesse processo serão os institutos federais de educação, ciência e tecnologia.
Segundo o diretor, há uma estimativa de que pelo menos 30 milhões de pessoas poderão ser beneficiadas pela Rede Certific em todo o Brasil. São trabalhadores que atuam em vários setores: elétrico, mecânico, metalúrgico, na construção civil, em turismo, cultura, pesca, gastronomia, entre outros. ''O certificado representará um reconhecimento formal da qualificação como considerada apropriada por uma instituição e isso ajudará a pessoa no mercado de trabalho'', explica Pereira.
''Tudo que vem para reconhecer a experiência das pessoas é favorável'', afirma Marco Secco, diretor de operações do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Paraná (Senai-PR). Secco aponta que o Senai-PR já tem ações semelhantes de certificação e argumenta que a Rede Certific também será um avanço para as pessoas que contratarem os serviços dos profissionais beneficiados pelo sistema.
''Hoje, se você precisa de um eletricista, muitas vezes você não tem uma garantia da qualificação dele, você apenas recebe uma indicação de outra pessoa. O certificado representaria essa garantia'', diz o diretor do Senai-PR.
Euclésio Manoel Finatti, vice-presidente da área de política e relações do trabalho do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), acredita que a qualificação e a certificação podem ajudar a atrair mais profissionais para o setor. ''A rede vai criar um incentivo para os trabalhadores. A construção civil tem sofrido com a falta de profissionais. A qualificação será um estímulo para que o setor se torne mais atraente e para que as pessoas queiram fazer carreira na área'', argumenta Finatti.
Abraão Soares Falcão, de 55 anos, começou a trabalhar na construção civil em 1974, como servente de pedreiro. Aprendeu os segredos do ofício na prática, sem educação formal, e foi evoluindo na carreira, até assumir o cargo de mestre de estrutura.
''Se pensasse baixo, eu, que estou quase me aposentando, ainda estaria no mesmo lugar em que comecei. Resolvi enxergar mais para a frente'', diz Falcão. Ele acredita que qualquer certificação representa um diferencial no mercado de trabalho, mas que apenas isso não basta.
''No meu caso, um certificado faria uma diferença para mim, mas o conhecimento eu já tenho. Tem muita gente com certificado que não sabe 30% do que eu sei. O importante é estar sempre aprendendo, manter boas relações no trabalho e se especializar. Mas um certificado faz diferença, não tenha dúvida. Qualquer certificado ajuda, qualquer especialização é bem-vinda'', explica.


