Apesar das incertezas quanto ao volume de empregos temporários para os próximos meses, há o fato de que muitas contratações poderão ocorrer de última hora, em caráter emergencial. "A economia está fraca e os empresários têm medo de investir e ficar no prejuízo. Eles vão tentar deixar tudo para última hora", aponta Marcos Abreu, diretor jurídico da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem) e presidente da Employer, empresa especializada em recrutamento e seleção de trabalho temporário.
A mesma opinião é dividida por Milton Velei, gerente do Sistema Nacional de Emprego (Sine) em Londrina. Ele explica que as vagas de trabalho não são classificadas como temporárias e, portanto, não há como divulgar números.
"Mas já estamos notando uma queda tanto no setor de serviços e comércio. No ano passado, já tivemos uma procura muito baixa dos empresários. Geralmente, as ofertas de vagas surgem já para o mês de outubro, por conta do Dia das Crianças. Acredito que se houver um aumento, será de fato, de última hora", diz.
Em relação ao volume de candidatos, Velei reforça que não há por enquanto, nenhum aumento significativo, considerando que a procura por emprego vem ocorrendo o ano todo.
Sobre a redução do trabalho temporário, Abreu faz questão de destacar a competição com a terceirização de mão de obra. "A terceirização não tem lei e quem decide o salário é a empresa terceirizadora. Mas agora, com o alto índice de desemprego, as empresas estão percebendo que se contratarem terceirização, poderão ter um custo de mão de obra improdutiva, até porque não se pode ter uma precisão do que irá acontecer com a crise", comenta.
Sendo assim, defende que o trabalho temporário é a melhor alternativa jurídica que se encaixa nessa situação de desemprego e mercado fraco. "Além disso, o emprego temporário não é mais visto como prática que 'suja' a Carteira de Trabalho. Hoje, ele é visto como uma qualificação rápida e o caminho mais fácil para conseguir o emprego efetivo", conclui. (M.O.)

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