A disputa vai continuar
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Kalinka Amorim com Agência Brasil <br> <br> Reportagem Local 
Uma notícia dada recentemente abalou o sonho de quem vem se dedicando para os concursos públicos: o governo federal não irá mais permitir novos concursos para esse ano. A suspensão faz parte do pacote de ajuste dos gastos do governo, que prevê o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento Geral da União, anunciado recentemente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.
A Ministra do Planejamento, Miriam Belchior, anunciou duas medidas bombásticas: a suspensão de todas as nomeações de concursados aprovados e a não autorização para a realização de novos concursos em 2011.
A decisão é radical e, infelizmente, oficial. Contudo, não surpreendeu Maria Thereza Sombra, presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (ANPAC), sediada no Rio de Janeiro. ''Esse mesmo tipo de noticiário foi divulgado em 2008, quando a CPMF foi extinta, e o corte só atinge o executivo federal direto. Os órgãos federais indiretos como o Banco do Brasil, Petrobrás, BNDES,INSS, Infraero entre outros não estão englobados no corte'', afirma.
Ela também explica que quase 50% do funcionalismo público está prestes a se aposentar. Com isso a existência de concursos públicos deverá ocorrer para não estrangular a máquina pública. ''No ano passado o Tribunal Geral da União (TGU) determinou que todos os funcionários terceirizados fossem substituídos por concursados até o final de 2012. Não tem como não acontecer os concursos públicos'', argumenta.
Portanto, o sonho da carreira pública não precisa ser abandonado. Segundo professores e proprietários de cursinhos preparatórios, as turmas serão mantidas e os concurseiros podem continuar se preparando.
Fábio Santos, coordenador do LFG concursos, acredita que essa decisão não afeta as pessoas que querem uma vaga no âmbito público. ''O primeiro impacto é sempre negativo, mas ficar um ano sem concursos não afeta os alunos. Pelo contrário, pode até ajudar. O preparo para se passar num cargo desses é longo e requer dedicação e tempo de estudo'', diz. Ele alega que existem mais de 200 editais de concursos abertos. ''Esses editais depois que são publicados devem ser obedecidos. O que pode ocorrer é um atraso nas contratações dos aprovados, mas de forma alguma a não contratação'', explica.
Para Fernanda Simões Viotto Pereira, coordenadora do Intelecto Jurídico, a notícia também não foi uma novidade. ''Quem trabalha com concurso público já está preparado para os cortes no orçamento e a suspensão dos concursos. Em 2007, o corte foi anunciado e o concurso para o INSS suspenso. Porém, houve uma pressão porque não haviam funcionários suficientes e o concurso acabou sendo realizado'', relata.
Ela acredita que o mesmo aconteça dessa vez. ''Entre o final de 2011 e o primeiro semestre de 2012 poderá acontecer tanto o concurso do INSS, quanto os da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Muitos funcionários do INSS estão para se aposentar e o País receberá um volume grandioso de turistas, os três efetivos não contam com funcionários suficientes para sanar as necessidades atuais. Abrir novos concursos para esses dois últimos órgãos principalmente, é questão de segurança pública'', afirma.
De acordo com Fernanda a decisão atingiu apenas 10% do total dos concursos públicos ofertados. ''Foram suspensas apenas as vagas que abririam para o nível executivo federal. Ficam mantidos os concursos municipais, estaduais, os da área judiciária e o dos tribunais'', alega.


