A dança das profissões nos últimos 10 anos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
Na hora de escolher uma profissão, vários fatores são levados em conta. Além do mercado de trabalho, o salário que eventualmente um profissional pode ganhar no início da carreira também é avaliado. Segundo especialistas, nesta busca, as carências de mão de obra qualificada expostas pelo franco crescimento do País também devem ser consideradas.
Estas variantes cruciais para a tomada de decisão profissional foram apreciadas no estudo ''Talentos - As Profissões e o Mercado de Trabalho Brasileiro entre 2000 e 2010'', apresentado recentemente pela Brasil Investimentos & Negócios (Brain).
Com base nos dados dos censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destes anos, o relatório compara os salários dos trabalhadores com nível superior em diversos setores com os dos que concluíram o ensino médio - cujo salário mensal em 2010, foi em média de R$ 1.317.
No ranking elaborado pela pesquisa, destacam-se entre as profissões com o maior aumento salarial e mais procuradas as áreas de Medicina, Engenharia Civil e Engenharia Química. Já formações em Administração, Ciências da Computação, Marketing e Farmácia registraram quedas de salário - indicando menor demanda por parte do mercado. O diretor de Pesquisa da Brain, André Sacconato exemplifica que em Engenharia Civil a diferença salarial entre o profissional de nível superior e o de nível médio, que era de 200% em 2000 passou para mais de 250% em 2010.
Após a identificação dos setores que mais necessitam de mão de obra, Sacconato aponta duas saídas para que o País não perca as oportunidades de crescimento que estão surgindo. Se o Brasil não tem conseguido formar profissionais em determinadas áreas é necessário facilitar a imigração de estrangeiros na áreas onde há maior demanda de profissionais. ''Não conseguiremos atender essa demanda em curto prazo, então precisamos facilitar a entrada de profissionais que disponham essas qualificações'', defende. Na avaliação dele, importar mão de obra não quer dizer que os brasileiros formados aqui correriam riscos de ficar sem oportunidade no mercado de trabalho, mas atenderia os anseios da economia nacional.
Outra saída, a médio e longo prazo, seria criar políticas de incentivo e melhorias na educação, principalmente no que se refere as profissões que sofrem com a falta de trabalhadores. ''Quando abrimos os dados percebemos que o número de vagas nas universidades para esses cursos que necessitam de profissionais em geral foi pequena com relação a demanda. Agora não adianta abrir cursos se não houver qualidade nessa formação'', pondera.
Segundo o economista Sacconato a ideia do estudo era traçar em que setores o Brasil mais tem necessitado de profissionais e dispor soluções para atender essa demanda. ''Percebemos que as profissões que mais tiveram aumento de salário nesse período são também as que estão em falta no País. As profissões que faltam dão um mapa do problema que já enfrentamos e que teremos que enfrentar nos próximos cinco ou seis anos, já que não se consegue produzir essa mão de obra internamente'', aponta.
O estudo também demonstrou quais profissionais continuaram atuando na área em que se graduaram. De 50% a 80% dos formados em Medicina, Arquitetura e Pedagogia permaneceram na ocupação.
Já nas áreas de Administração, Artes e Ciências Sociais, a aderência foi mínima. Cerca de 90% dos graduados nestas áreas não seguiram o ramo de atividade que concluíram.
Leia a reportagem completa em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA.
- Professor vê na formação a garantia de bons salários
- Presidente do CRMPR diz ser ilusória a boa remuneração


