A chance de escolher o futuro
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Fernanda Carreira<br> Reportagem Local 
Escolher uma profissão, definir a atividade que você irá passar boa parte do dia, e talvez a vida toda executando. Decisão difícil para se tomar quando se tem apenas 17 ou 18 anos de idade e pouca ou nenhuma experiência de trabalho. Essa é a realidade para a grande maioria dos vestibulando que começam a se preparar para o período de inscrições que está chegando.
Rodrigo Honório, aluno do 3º ano do ensino médio do colégio Estadual Marcelino Champagnat, se encontra nessa situação. Ele conta que este é um momento de dúvida, mas também de oportunidade para a escolha de diversos caminhos. ''É claro que bate um pouco de ansiedade, mas ao participar de uma feira vocacional, em que você pode estar em contato com profissionais de diversas áreas, eu tive a certeza do que eu queria'', afirma. ''Depois de mudar de opção umas quinhentas vezes, finalmente eu me decidi, quero prestar vestibular para engenharia civil''. Ele e outros estudantes participaram recentemente da Feira Giro de Profissões, organizada pela Faculdade Pitágoras, para tentar entender como funciona cada realidade de várias carreiras.
Amanda Américo, aluna do 3º ano do ensino médio do mesmo colégio, revela que escolher o curso errado tem sido o seu maior medo durante a fase de preparação para a entrada na universidade. ''Mas sempre gostei do curso de direito e ao acompanhar um júri simulado na feira vocacional da Pitágoras, eu tive a certeza que queria seguir a área de direito'', complementa.
Para Flavia Fernandes de Carvalhães, professora de psicologia da faculdade Pitágoras, definir qual profissão a seguir assusta muitos alunos, devido a responsabilidade que esta escolha carrega. ''Observamos que hoje a profissão de uma pessoa está intimamente ligada à sua identidade. O indivíduo passa a ser reconhecido pelo que ele faz e não pelo que ele é'', observa.
Segundo a professora, desde a infância as pessoas já são questionadas sobre o que querem ser quando crescer e quando chega a adolescência, a pressão aumenta ainda mais. ''Elas são pressionadas pela mídia, pela família, pelos amigos, de que devem escolher algo que lhes traga uma ótima remuneração no futuro, mas nem sempre isso vai trazer felicidade, é algo ilusório'', destaca.
De acordo com Flavia, a decisão correta só surge quando o aluno faz uma escolha consciente sobre quem ele é, o que gosta de fazer e, principalmente, quando conhece a realidade daquela atividade profissional. ''É preciso que ele converse com um profissional da área, para desmistificar alguns conceitos e ter maior clareza sobre quais atividades irá desempenhar'', aponta.
A psicóloga complementa que o jovem deve ter em mente que o leque de possibilidades para ele é muito amplo nessa fase e decidir o curso para o qual quer prestar vestibular implica em entender quais são suas características pessoais que se assemelham com a área. ''E o teste vocacional pode ser uma boa oportunidade para o adolescente saber que área o atrai mais'', diz.
Tales Neppel, também aluno do 3º ano do ensino médio do colégio Champagnat, participou do teste vocacional porque estava em dúvida sobre qual profissão gostaria de seguir, direito ou comunicação social. ''Acabei optando por direito. Eu já conhecia um pouco do curso, porque tinha acompanhado o trabalho da minha prima na área, mas ao visitar a feira vocacional do Pitágoras e conversar com outros profissionais, eu tive certeza'', diz.
A psicóloga destaca que se o aluno escolher um curso e não se adaptar, não há motivo para frustação. ''Todo mundo pode realizar uma escolha errada na vida. Eu sou favorável que o estudante mude de curso, o importante é que ele se sinta realizado e feliz profissionalmente'', complementa.


