Entrar em um estabelecimento comercial e ser bem atendido, se deparar com um funcionário simpático, sorridente, feliz em desempenhar a sua função e 100% disposto a te mostrar o que você procura é o que todo mundo quer. Além disso, parafraseando Philip Kotlher, o papa do marketing, ''o perfeito conhecimento do cliente, suas necessidades, desejos, problemas e expectativas é ponto indispensável para o bom atendimento''. A questão é que nem sempre nos deparamos com pessoas bem preparadas para executar com maestria a função de vendedor.

Para as empresas, o bom atendimento é uma prioridade. É primordial que a atuação do funcionário gire em torno do 'encantar' o cliente que, quanto melhor atendido e satisfeito ficar, maior retorno financeiro poderá representar. Foi a época em que atender bem era um ato secundário ou terciário. Hoje é um gênero de primeira necessidade, algo que Jonny Jacó, gerente da loja Mulher Elástica, em Londrina, sabe de cor e salteado. Com 32 anos, desses, 10 dedicados à venda no comércio, Jonny é o típico funcionário que toda loja gostaria de ter. Foi contratado como vendedor de renomadas revendas de roupas de grife, e sempre num curto tempo era promovido a sub-gerente, vindo depois a assumir a gerência das lojas.

''Bom vendedor tem que ter bom-humor, responsabilidade e automotivação. O vendedor precisa ser o mais honesto possível. Tive cliente que entrou na loja para comprar um presente para a sobrinha e tornou-se um cliente em potencial, chegando a gastar até seis mil reais em uma única compra'', conta ele.

Um cliente, muitas vezes, chega em um estabelecimento carente de atenção, com a necessidade de comprar algo para melhorar sua auto-estima. Mas, em muitos casos, o que ele encontra? Um vendedor com igual momento. ''Cara feia acaba com tudo sem ao menos começar. Isso é péssimo. Se você não tem automotivação precisa fazer alguma coisa que esteja bem longe de ter contato com pessoas. Se você está envolvido num todo, esse todo estará envolvido com você. Hoje as pessoas têm poder de compra, e elas precisam ser bem tratadas'', diz Jonny.

O bom atendimento, inevitavelmente, gera bons frutos para o funcionário, além de perpetuar o relacionamento com o cliente. Em muitas vezes acaba até criando uma amizade entre o consumidor e seu atendente. Fato que se comprova com a história da jovem vendedora Bruna Lopes, de apenas 19 anos, que trabalha há nove meses na loja de roupas Triton. Pode ser pouco tempo, mas nesses meses Bruna conquistou clientes que ligam marcando hora para serem atendidos por ela. Além disso, em menos de um ano, a moça tornou-se VR - sigla que em lojas mais chiques significa 'vendedora responsável' no caso da ausência da gerência.

''Acho que para se obter sucesso como vendedora é preciso ter muito empenho, querer o melhor para a empresa e a equipe. Tem que gostar da marca que você vende, pensar em grupo e, acima de tudo, querer crescer dentro da loja'', conta ela que, em seguida, faz questão de frisar: ''Bom atendimento é 100% o cliente, ser paciente, ser verdadeiro, não mentir nunca. Não vale dizer que a roupa está ótima se a pessoa parece uma pamonha amarrada. O cliente é muito esperto, ele sabe se você está enganando ele. Também não interessa se naquele dia você não está bem. O cliente não tem culpa, ele deve ser bem tratado, sempre''.

Essa concientização citada por Bruna e algumas outras caracteríticas foram primordiais para a empresária Ilka Cristina Faro e suas duas filhas, Isabele, de 16 anos, e Carolina, de 12, tornarem-se grandes clientes da vendedora. ''Ser bem atendido é tudo. Já fomos em outras grandes lojas e fomos mal atendidas. Nunca mais voltamos. Além do bom atendimento, o domínio do produto é tudo. A Bruna, por exemplo, nos deixa à vontade, conhece o meu perfil e das minhas filhas. Existe um respeito grande dela conosco. Ela vende um look com autoridade daquilo que está mostrando''.

A arte do bem atender deveria ser algo global. O supermercado deve atender bem seu consumidor, o banco deve atender bem seu correntista, o político deve atender bem seu eleitor, o dono do açougue atender bem seu freguês... Pois, em se tratando de comércio, uma coisa é certa: cliente mal atendido não volta e, nesse caso, a concorrêcia, que está sempre bem perto, agradece.

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