A arte da negociação
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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 
Para quem gosta de desafios, trabalhar com resultados e estratégias e ajudar os outros em seus percalços financeiros, o mercado de trabalho no setor de cobrança e recuperação de crédito pode ser o caminho para uma carreira bem-sucedida. O setor oferece oportunidades para todas as faixas etárias e momentos de vida, bom nível de empregabilidade, carga horária reduzida de 6h - dependendo da situação de trabalho - e ganhos que, por vezes, mesclam salário fixo com receita variável oriunda das comissões de cada negociação.
O conceito em torno do ato de negociar ao invés de cobrar é extremamente pertinente para quem anseia por voos mais audaciosos na profissão. Segundo o professor e consultor de carreira do centro universitário Esic Business & Marketing School, Alexandre Weiler, tal atividade exige do profissional um conhecimento amplo que vai desde oralidade, comunicação sem erros de português e com boa articulação, até conhecimentos das questões legais envolvendo cobrança e o teor dos contratos cobrados, mais aspectos relacionados à área financeira e de gestão.
"É um setor que cresce cada vez mais, tanto pela crise quanto por fatores culturais e de padrões de consumo da sociedade. Essa área exige um preparo arrojado de quem quer ir além daquela realidade do call center, uma vez que há outros patamares de cobrança, incluindo situações com pessoa jurídica, que remuneram muito bem, superando em mais de cinco vezes o salário médio, mas demandam profissionais igualmente qualificados", ressalta. "Só que é preciso ter em mente que quanto mais raros somos, melhor remunerados seremos. E para galgar posições bem diferentes do call center, onde sobram vagas, é importante dominar a arte da negociação e isso requer investimento em cursos específicos dessa área em instituições voltadas para negócios", orienta.
A professora e consultora empresarial Fafita Lopes Perpétuo, da Foco Consultoria e Treinamento, em Londrina, também é uma entusiasta da formação continuada. "É uma carreira que acolhe quem é jovem, em busca do primeiro emprego, em uma atividade de call center, ou pessoas que, por acaso, acabam demonstrando habilidades em uma empresa em que essa não é a atividade fim. Mas (a carreira) se torna muito interessante para quem quer prosseguir, chegar a supervisor, gerente de equipe ou até ter o próprio negócio a partir de um preparo que amplie a visão sobre essa parte que integra o conceito global de relacionamento com cliente", defende.
"Não faz sentido apenas ter como meta o pagamento de uma dívida anulando a relação com o cliente, daí a complexidade e importância de se ter um profissional capacitado para a atividade", completa. Ela conta que há várias instituições como a Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) e a Foco que oferecem cursos livres ou de extensão para quem busca aprimoramento. "Do ponto de vista comportamental, é fundamental que esse profissional saiba dosar o apreço por desafios e resultados com uma ampla capacidade de desenvolver empatia, entender quem é a pessoa que está devendo e de forma respeitosa e paciente buscar uma solução", ensina.
Para quem se identifica com essas características e quer tentar um lugar ao sol, a consultora explica que o final do ano é o período mais interessante para se atuar com recuperação de crédito em contratos que mesclam ganho fixo e comissão. "É um dos destinos do 13º salário. Tal qual os vendedores de loja, é o momento para fechar acordos e ganhar comissão", acredita.

De repente, supervisora
No caso da advogada Gabriella Luciano Quirino, supervisora da Fatury Protestos e Custódias, a oportunidade de trabalhar com cobrança veio por acaso. A advogada não esperava que lá estava um caminho profissional no qual sua graduação em Direito andaria de mãos dadas com a atividade exercida por ela.
"Meu irmão teve a ideia de abrir a empresa, depois de uma trajetória que mesclou mais de cinco anos em banco com um ano em cartório de protesto de títulos e me deu a oportunidade. Aquilo que em princípio eu pensava em conciliar com a minha profissão se somou, uma vez que abriu o leque de atuação de forma instigante porque todo dia é diferente. E também pelo fato de conseguirmos trabalhar com a cobrança judicial e extrajudicial", afirma.
Em sete anos de empresa, Quirino passou por todos os setores até virar supervisora de equipe. "Participei do processo de crescimento da empresa, o que me ajuda a entender o funcionamento e o que a minha equipe enfrenta e, pelo que vejo na prática, paciência é uma das principais ferramentas nesse serviço. A outra é estudar cada cliente e se preparar para oferecer diversos caminhos. Por fim, jamais entrar em conflito, isso anula a negociação", explica.
Seguindo essa receita, o crescimento registrado desde 2010 pela empresa é da ordem de 60%. "E temos uma cartela em torno de 50 clientes, de faculdades e consultórios odontológicos a empresas que oferecem crediário, sendo que o primeiro e um dos principais está conosco desde o início", revela.
No caso da Fatury, um fato curioso é que as vagas em aberto não são para o setor de cobrança, mas de prospecção de empresas que vão cobrar os endividados após o período de festas. "Nosso quadro atual está dando conta da cobrança e, neste ano, a crise fez com que algumas empresas deixassem de contratar os serviços de cobrança, mas acreditamos na retomada após o Carnaval 2018". (M.M.)


