Um fulano qualquer, com patrimônio de alguns milhões e uma empresa próspera em tempos de vacas gordas, ri-se dos menos afortunados e julga-se líder sobre todos. Ele se acha Midas – o rei que, por uma maldição, fazia ouro de tudo o que tocasse.
Presunçoso e arrogante, tripudia com ironia e desprezo aqueles cujos suados resultados não chegam "à sola" das metas de lucro que ele alcança e sabe obter com maestria.
Então os tempos mudam. Vem a crise: o crédito fracassa, o dólar dispara e as vendas minguam.
Como estará agora o nosso "medalha de ouro do mercado"?
Não é mais o semideus que via no espelho todas as manhãs. Fraco e acuado, sumiu das rodas que o aplaudiam. Incômodo e vergonha exigem dele potentes soníferos para que repouse poucas horas de quase nenhuma paz de que goza.
Não sorri, não retorna ligações e sua voz não mais ecoa nos corredores da empresa pregando lições de moral e superioridade. Hoje, ele treme por tudo. Sua fé está por um fio. Confiança é um verbete quase apagado de seu dicionário.
Só a coisa certa ele não faz. Por que não perguntar-se:
- "Será aquele um modelo consistente de liderança?"
- "A minha conduta até aqui expressou a realidade e o ‘ser’ de um experiente homem de negócios?"
Se eu pudesse, gostaria de lembrá-lo de uma velha lição. É neste novo cenário que se encontram as grandes e mais amplas chances dele mostrar a habilidade e a aptidão que certamente possui, eu acredito. O desafio consiste apenas em ser humilde e suprimir a obrigação de sucesso.
O que lhe falta é bom ânimo para pôr em prática o segredo que o fez chegar até aqui: trabalho duro. O mais indicado seria esquecer o pressuposto de que esforço não combina com a grandeza e o posicionamento de um "novo rico" e dar tudo de si. Basta aproveitar que o conceito de riqueza num país como o Brasil é tão volúvel quanto as nuvens do céu e arregaçar as mangas.
Quando tudo vai bem, potencialidades pessoais são quase invisíveis. Ter fé e esforçar-se pode evitar grandes perdas.

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