Eu almoçava com um empresário de Cascavel. Era um encontro de prospecção de negócio. Por mais de uma hora discutíamos positivamente as várias possibilidades de parceria quando um rapaz muito simplório se aproximou e, pedindo licença educadamente, dirigiu-se a ele perguntando:
- O senhor é o primo do Felipe.
E o meu convidado:
- Sim, sou.
Tirando um cartão de visita do bolso, entregou-o ao meu cliente e disse:
- A minha empresa de instalações industriais já está funcionando. Estamos em condições de lhe prestar aquele serviço de que o senhor falou ao Felipe. Por favor, faça contato conosco.
E agradecendo, deu as costas e se foi.
Ficamos ali por mais meia hora. Eu esclareci as principais dúvidas do meu futuro cliente, paguei a conta, levantamos e caminhamos para o estacionamento. Antes da despedida, marcamos novo encontro para dali quinze dias.
Ao entrar no carro, eu pensei na simplicidade e rapidez com que aquele jovem abordou o meu cliente, tendo em mãos apenas um cartão de visitas e a referência do primo Felipe.
Eu, por minha vez, investira R$ 150,00 num almoço apenas para ser ouvido, e ainda teria novo encontro para chegar a um ponto de efetivação a que o rapaz chegou em não mais do que três minutos.
Não pretendo postular uma regra. Aliás, é bom dizer que, se o rapaz não fosse educado aproximando-se cheio de "desculpas" e "por favor", teria sido grosseiro, e sua atitude, no mínimo proibida. Mas olhando desde a ótica da praticidade e do tipo de serviço que ele presta, a abordagem foi ótima.
Quantas pessoas deixam de vender, comprar, perdendo oportunidades por conta de baixa autoconfiança, perdendo de aproximar-se de um potencial cliente e dar seu recado com simplicidade?
Eu ouvi dizer que Deus dedicou boa parte das chances de sucesso deste mundo a uma categoria especial de gente. São aqueles que, não olhando para suas fraquezas e limitações pessoais, agem com foco no objetivo de seus planos. Sabe quem são? Os caras de pau.


Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina

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