- Abraham Shapiro - Ciência ou sorte?
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domingo, 24 de maio de 2015
Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina 
Os dois eram grandes amigos e pescadores inveterados. Nunca tinham pescado num rio ou lago da América do Norte, acostumados que estavam ao Pantanal do Mato Grosso do Sul. Pescar trutas seria uma novidade.
Dois dias se passaram, e lá estavam eles sem sucesso na diversão do feriado prolongado em pleno Estados Unidos. Experimentaram usar ovas de salmão, larvas e outras iscas em lugares profundos e rasos. Peixe? Nenhum. Mas sabiam haver muitos por lá. Centenas de milhares de alevinos eram anualmente semeados naquelas águas. Como pescá-los? Esta era a questão.
Hipótese: trutas não têm fome, pois estavam indiferentes à grande variedade de iscas.
Um dos pescadores resolveu deixar de lado o orgulho de "perito pescador dos trópicos" e render-se à consulta a um guia experiente que estava à mão. O especialista logo mostrou as falhas técnicas dos brasileiros - já constrangidos.
O equipamento estava errado. A qualidade das ovas de salmão que usavam não era boa. Tirando do bolso uma garrafa, mostrou-lhes como deviam ser: grandes e com a verdadeira cor do salmão. Os anzóis eram grandes demais. O fio, muito grosso. Trutas têm visão oito vezes ampliada. Elas enxergavam a linha como um poste, sendo, assim, fácil desviar. Eles deviam usar um fio muito mais fino, resistente, e de cor esverdeada.
Todos os itens deviam ser adequados às condições propícias para aquele local, foi a orientação do guia.
Isso bastou! Os rapazes fizeram conforme as instruções. Resultado? Recobraram seu orgulho de bons pescadores. Sucesso total.
Há uma lição de sabedoria neste breve conto. Das grandes.
Uma empresa ou carreira profissional é exatamente assim. Há o modo correto ou científico de se atuar e o modo aleatório. Trabalhar certo consiste em buscar fatos, conhecimentos, experiências, analisá-los, concluir e adequar o cenário em função do que deve ser feito. Traduzindo: é, entender com clareza as condições reais para, só então, traçar uma estratégia e a tática de ação correspondente. O outro modo consiste em fazer tentativas. Acontece que o custo de depender da sorte é, normalmente e quase sempre, incalculável.
E então? Ciência ou tentativa e erro? Sem dúvida, prudente é optar pela ciência. Mas uma pitada de sorte só ajuda!


