Zona tampão cria dificuldade para os pecuaristas do MS
Guto Rocha
De Londrina
A criação de zonas tampões em algumas regiões produtoras de gado bovino para proteger as áreas livres de febre aftosa está trazendo problemas para os pecuaristas destas localidades. O diretor do Sindicato Rural de Prestes Lacerda (MS), Bento Ferraz Pacheco, afirma que a zona tampão que abrange o Vale do Guaporé, parte da região de Jauru e parte da grande Cáceres, no Mato Grosso do Sul, está inviabilizando a atividade. A área foi criada para proteger o Estado da Bolívia e de Rondônia.
A região, segundo Pacheco, tem um rebanho bovino de 3,7 milhões de cabeças,com um abate anual de 860 mil animais. O problema, segundo ele, é que por estar dentro da zona tampão, os pecuaristas não conseguem desovar seus animais. O Ministério da Agricultura nos deixou apenas um frigorífico na região, que tem autorização para abater entre 600 e 800 cabeças/dia, o que provoca um excedente que não tem como ser absorvido.
Ele disse que a comercialização da carne desossada também acabou sendo afetada pelo problema. Ele observou que o frigorífico que opera na região montou a estrutura necessária para desossar, mas não consegue colocar o produto no mercado paulista, que tem resistência à carne produzida em zonas tampões. Há muita desinformação, e o consumidor teme consumir o produto originados nestas localidade, afirmou.
A outra opção de mercado, segundo Pacheco, seria a comercialização para as regiões para onde a carne pode ser vendida com osso, como Rio de Janeiro e Nordeste. Mas estas regiões não apresentam liquidez que remunere a atividade, argumentou.
Mesmo os frigoríficos das regiões do Mato Grosso do Sul que estão fora da zona tampão estão tendo dificuldades para se abastecer. Segundo Pacheco, para contornar a situação, pecuaristas e frigoríficos estão comercializando animais forma clandestina. Na semana passada 40 caminhões carregado com animais do Vale do Guaporé vazaram as barreiras, afirmou.
Pacheco disse que uma das soluções seria a revisão pelo governo, da faixa ocupada pela zona tampão. Deveria passar dos atuais 200 km para no mínimo 30 km. Porque há casos em que o curral da fazenda está na área livre, e o pasto na zona tampão, afirmou. Outra solução, segundo ele, seria a criação de corredores sanitário, com análise de risco. Caso isso não seja revisto, todas as conquistas, com o reconhecimento do Circuito Centro Oeste pode ser perdido, uma vez que para sobreviver os pecuaristas acabam enviando animais para outras regiões sem o devido controle, comentou.





