Zoellick recusa proposta de atraso da Alca
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terça-feira, 27 de maio de 2003
Agência Estado 
Brasília - O representante dos Estados Unidos para o Comércio, Robert Zoellick, disparou ontem negativas às duas pretensões do governo Luiz Inácio Lula da Silva sobre as negociações comerciais em andamento. Logo depois de um encontro de cerca de 90 minutos com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, Zoellick descartou o início da negociação direta entre o Mercosul e os Estados Unidos e o atraso no prazo para a conclusão da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), previsto para 1º de janeiro de 2005.
O principal negociador americano valeu-se da declarada ambição do Brasil em firmar-se como líder da América do Sul como argumento em favor da continuidade da Alca e ainda deixou claro que a redução de subsídios agrícolas será um objetivo que o País alcançará apenas se aliar-se aos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ao deixar o Ministério da Fazenda, Zoellick declarou que trouxe ao governo brasileiro algumas ''idéias pragmáticas sobre como fomentar e avançar o processo da Alca''. Lembrou que, até a reunião ministerial da Alca em Miami, em novembro deste ano, os presidentes Lula e o americano George W. Bush e seus negociadores terão várias oportunidades para desfazer os atuais impasses. Primeiro, ambos se encontrarão em Evian, na França, no dia 2, paralelamente à reunião do G-8. Logo depois, no dia 20, os dois presidentes se reunirão em Washington. ''Daqui para a frente, os meses serão chaves'', afirmou, descartando um possível 4+1. ''Então, esse é o momento de arregaçar as mangas e começar a trabalhar''.
Zoellick ressaltou que todos os 34 países - portanto, também o Brasil - se comprometeram na reunião ministerial de Quebec, em 2001, a concluir as negociações até 1º de janeiro de 2005. Argumentou ainda que os cenários econômicos mundial e regional tornam mais urgente a necessidade de abertura comercial no Hemisfério. ''Diante da fragilidade da economia internacional e das incertezas que acometem algumas economias latino-americanas, acredito que seria totalmente favorável avançarmos nesse processo. É isso que me traz a Brasília'', declarou.


