Zeppelin quer voltar ao Brasil após 70 anos
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sábado, 16 de agosto de 2008
Jamil Chade, enviado especial<br> Agência Estado 
Friedrichshafen, Alemanha - Setenta anos após a última viagem comercial do zepelim entre a Alemanha e o Brasil, a empresa responsável pelo dirigível negocia o retorno do mítico aparelho ao País.
A ofensiva no mercado brasileiro faz parte de uma estratégia da Zeppelin de retomar a produção em larga escala dos dirigíveis. A idéia já não é mais a de transportar passageiros em viagens transoceânicas, mas de encontrar funções específicas, seja no setor de turismo, monitoramento ambiental, pesquisas científicas, ou mineração. Um estudo feito pela companhia chegou à conclusão de que haveria uma demanda no mundo para pelo menos 40 zepelins. Isso sem contar com eventuais aeronaves para fins militares e de policiamento.
Entre 1908 e 1937, 119 zepelins foram construídos na Alemanha. Sem aviões comerciais ainda plenamente desenvolvidos, a empresa conseguiu um nicho de mercado importante e estabeleceu rotas aos Estados Unidos e ao Brasil. Mas um desastre em 1937 minou o sonho da empresa.
Desde 2001, quatro zepelins foram construídos. Um foi vendido ao Japão e outro está na Alemanha. Um terceiro foi deslocado para a África. O quarto zepelim está a caminho de São Francisco, nos Estados Unidos. ''Já temos mais três pedidos dos americanos e vamos começar a construção de um quinto dirigível ainda neste ano'', explicou o vice-presidente. Para ele, a entrada no mercado americano ''será um grande passo para a retomada do zepelim''. ''Esperamos que, a partir daí, possamos nos expandir com velocidade'', disse.
O Brasil é um dos focos. Os executivos da empresa estiveram no País sem alarde procurando parceiros e investidores. Segundo Schieschke, existem conversas hoje com pelo menos três empresas: Petrobras, Vale e a operadora de turismo CVC. ''Visitei Salvador, Rio e outros locais. Há um grande potencial no País'', disse. O turismo é a grande esperança da Zeppelin. A empresa negocia pacotes com a CVC e um agente trabalha no Brasil vendendo a idéia do dirigível. ''Seria genial ter um em Copacabana. Acredito que usuários possam ser passageiros de cruzeiros'', afirmou Scheischke. Uma dificuldade: cada passagem seria vendida a US$ 600.
Um dos estudos feitos pela empresa concluiu que existiriam outros três potenciais usos do dirigível no País. Um deles seria para o controle de redes elétricas, espalhadas pelo território nacional. Outra seria o monitoramento dos milhares de quilômetros de gasodutos que o País começa a construir. ''Por isso é que estamos em contato com a Petrobrás.''
Enquanto o primeiro negócio no Brasil não é fechado, a empresa se apressa em conseguir uma autorização de vôo comercial da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). ''As autoridades brasileiras indicaram que estariam dispostos a nos certificar'', afirmou Gritzbach. Contatos teriam sido feitos com o governo e mesmo com militares.
Mas a falta de profissionais capazes de conduzir o dirigível pode inviabilizar o projeto. Só existem 13 pilotos de zepelins hoje no mundo. Quatro deles, em Friedrichshafen. Um é Hans Paul Strohle, que por anos pilotou jatos comerciais. ''É necessário ter uma formação específica. O aparelho é complexo'', afirmou. A Zeppelin garante que está disposta a treinar pessoal para garantir as vendas.
Outro problema é a falta de infra-estrutura. No total, um investidor terá de gastar cerca de US$ 11 milhões para comprar um Zeppelin e toda sua estrutura, incluindo caminhões que levam torres para ''estacionar'' os aparelhos. ''Os aeroportos hoje não estão adaptados a essa máquinas'', afirmou Strohle.
Mesmo assim, a Zeppelin está otimista com o futuro dos dirigíveis a ponto de fazer planos para os próximos 20 anos. O engenheiro-chefe da empresa conta que recebe pedidos quase diários para o uso do Zeppelin. Alguns chegam a ser alvo de gargalhada. Um investidor japonês, por exemplo, sugeriu a criação de um dirigível para ser usado como um hotel flutuante. Outro propôs o uso no combate a incêndios.


