Enquanto setores ligados às exportações de commodities agrícolas seguem apreensivos com as sucessivas desvalorizações da moeda chinesa (Yuan) frente ao dólar, o que pode elevar as exportações da China e reduzir as suas importações, a avicultura brasileira ainda segue otimista em relação aos embarques de carne de frango para o país asiático. Ontem, por exemplo, a moeda chinesa fechou com queda de -0,8%.
Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), afirma que todos os setores estão preocupados com a desvalorização da moeda chinesa, mas ele lembra que o real também está desvalorizado em relação ao dólar, chegando a ultrapassar os R$ 3,60. "Isso também tem favorecido as nossas exportações", salienta o presidente da entidade.
No caso da carne de frango, Turra destaca que a China depende do Brasil porque o sistema de produção brasileiro é um dos únicos do mundo a ter uma sanidade que atende às exigências dos chineses. Ele destaca que os Estados Unidos, um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo, pararam recentemente de exportar carne de frango para a China porque não conseguiram atender às exigências do país asiático.
Ruim para os americanos, bom para o Brasil, assinala Turra, que observa que agora o País tem uma relação mais próxima para comercializar a sua carne de frango aos chineses. Porém, Turra salienta que é necessário que o Brasil continue a manter uma boa sanidade para continuar nesse bom ritmo de comercialização. A China é o quarto maior importador da carne de frango. Somente em julho, foram embarcadas ao país asiático 13 mil toneladas, 59% a mais em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram enviados 5,33 mil toneladas da proteína.
Em receita, o Brasil arrecadou em julho deste ano US$ 69,51 milhões com as exportações de carne de frango para o gigante asiático, valor 35% maior em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram arrecadados US$ 51,61 milhões.

Geral

No saldo geral, as exportações brasileiras de frango de corte totais, que inclui cortes, frango inteiro, processados, salgados e embutidos, fecharam julho em 447,2 mil toneladas, volume 17,2% maior em comparação com o mesmo período de 2014. Em receita, se for contabilizado em moeda nacional, os embarques de julho renderam R$ 2,48 bilhões, valor 42,3% maior em relação a julho de 2014. Na receita cambial, o saldo foi de US$ 722 milhões, desempenho 1,7% superior ao obtido no mesmo período de comparação.
No acumulado do ano (janeiro a julho), as exportações brasileiras totalizaram 2,437 milhões de toneladas, saldo 4,53% superior ao registrado nos sete primeiros meses de 2014. Na receita em reais, o setor contabilizou um total arrecadado de R$ 12,7 bilhões. Mas em dólares, a ABPA registrou uma redução de 8%, somando US$ 4,19 bilhões.
O Paraná mais uma vez consolida a sua primeira posição como maior exportador de carne de frango. De janeiro a julho os paranaenses encaminharam para o exterior 849,37 mil toneladas, 21,2% a mais em relação aos sete primeiros meses de 2014, quando foram exportados 700,77 mil toneladas. Em receita, o Estado arrecadou até julho deste ano US$ 1,4 milhão, ante US$ 1,27 milhão em relação ao mesmo período de 2014.

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