MOSCOU - O presidente russo, Boris Yeltsin, deve deixar a Clínica Central hoje ou amanhã e ser transferido para sua casa de campo em Barvikha, perto de Moscou, onde continuará recebendo uma assistência médica ‘‘total’’, informou o médico responsável pelo Kremlin, Serguei Mironov. Foram tirados ontem os pontos da cirurgia que Yeltsin fez há quinze dias para a colocação de cinco pontes de safena, acrescentou Mironov.
Em sua primeira aparição na tevê desde a operação, Yeltsin disse ontem à agencia RIA que está com espírito de luta e poderá voltar ao trabalho em breve: ‘‘Provavelmente ficarei em Barvikha por algum tempo e então voltarei ao trabalho’’. A entrevista foi feita enquanto Yeltsin, sorridente, caminhava com certa dificuldade de braço dado com sua neta Masha e acompanhado por sua mulher, Naina, e a filha Tatiana pelos jardins da Clínica Central, mostrando porém um semblante mais tranquilo que antes da operação.
Bielo-Rússia O presidente russo está tentando mediar a crise política na Bielo-Rússia, onde surgiu um grave conflito entre o presidente, Alexander Lukashenko, e a oposição parlamentar.
A agência russa Itar-Tass informou que Yeltsin telefonou ontem para o presidente bielo-russo e para o presidente do Parlamento, Simion Charetski, para discutir a situação do país.
Ural Latypov, um assessor de Lukashenko, disse à Reuter que o presidente bielo-russo deverá se encontrar com o primeiro-ministro russo, Viktor Chernomyrdin, amanhã ou sábado, possivelmente na Bielo-Rússia. Lukashenko, repelindo pressões de Moscou para um acordo com seus oponentes, recusou participar de uma reunião, convocada por Chernomyrdin, na cidade russa de Smolensk, alegando estar muito ocupado.
Semyon Sharetsky, presidente do Parlamento bielo-russo, aceitou o convite de Chernomyrdin e se reuniu ontem com Gennady Selesnyov, presidente do Parlamento russo, e Yegor Stroyev, presidente do Conselho da Federação, designados para mediar a situação.
Lukashenko e a oposição no Parlamento entraram em confronto desde que o presidente bielo-russo convocou um referendo, que deverá ser realizado domingo, no qual pretende conseguir a ampliação de seus poderes e a prolongação de seu mandato.
Os parlamentares, que contestaram incluindo no referendo seu próprio projeto constitucional prevendo a supressão do cargo de presidente, pedem a anulação ou adiamento dessa consulta.

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