A equipe econômica do presidente russo Boris Yeltsin iniciou ontem uma ofensiva final para a Câmara de Deputados aprovar hoje o pacote de austeridade fiscal destinado a reequilibrar as contas públicas e recuperar a estabilidade da moeda nacional, o rublo.
Em meio à maior crise de confiança desde que o país adotou um modelo econômico de tipo capitalista para se integrar à comunidade financeira internacional, o governo russo teme ter de recorrer a medidas drásticas, como a maxidesvalorização do rublo ou a moratória da dívida externa, para impedir a virtual quebra do Tesouro, hoje com reservas consideradas insuficientes para enfrentar os compromissos financeiros que vencem até o fim do ano.
Nem o desembolso da parcela de US$ 670 milhões do crédito acertado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), conseguiu reverter ontem o desânimo do mercado financeiro. Os investidores internacionais continuam abandonando suas posições no mercado russo e os que aceitam aplicar em papéis e títulos do Tesouro estão exigindo um retorno, considerado excessivo pelas autoridades econômicas de Moscou, para cobrir o risco Rússia.
Como resultado da fase de insegurança, a bolsa em Moscou fechou em baixa de 1,7%, com o índice RTS em 151,35 pontos. De acordo com operadores, o motivo da baixa foram as quedas dos preços dos títulos do Tesouro. No fechamento dos mercados, o juro dos GKOs de um ano era de 80%, nível da taxa de redesconto do Banco Central. A falta de confiança no rublo também se refletiu na bolsa. A moeda russa, ainda pressionada pelos temores de desvalorização, fechou em baixa, cotada a 6,2310. Desde o início do ano, a bolsa russa acumula queda de 62%.
Conforme o acordo da missão técnica liderada pelo vice-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer, os recursos da parcela do pacote de crédito entraram ontem na conta do Ministério das Finanças, segundo informações da agência de notícias russa Interfax. Após nova avaliação das metas econômicas russas, a junta diretora do FMI liberou o empréstimo e prometeu retomar negociações para articular uma nova linha de crédito - reivindicada por Moscou - a partir da execução de medidas de saneamento fiscal ‘‘que têm de entrar em vigência imediatamente’’.
O destino do programa econômico russo dirigido pelo FMI enfrenta amanhã um teste decisivo quando for a plenário para votação na Duma, o Parlamento. O pacote fiscal, defendido por Yeltsin como ‘‘um programa de estabilização’’, pretende reduzir as taxas de juros, recuperar o crescimento econômico, melhorar a arrecadação fiscal e, segundo o primeiro-ministro Sergei Kiriyenko, ‘‘melhorar as condições de vida da população’’.
Entre as medidas que serão avaliadas pelos deputados, estão numa nova legislação tributária, novas alíquotas de imposto, redução do número de beneficiários de subsídios estatais e novos impostos sobre o consumo.Sergey Chirikov/France Presse‘Risco Rússia’Operador da Bolsa de Moscou mostra o movimento de queda das ações. Ao final do dia, baixa foi de 1,7% e, no ano, está acumulada em 62%Agência Estado/Reuters

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