Ximenes confirma queda dos juros em 97
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 1997
Marccio W. Varella Sucursal de Maringá 
Edson GuittiBoa notíciaPaulo César Ximenes, ontem, na Cocamar: juros agrícolas em queda gradativa este ano O presidente do Banco do Brasil (BB), Paulo César Ximenes, anunciou ontem em Maringá que a taxa de juros para a agricultura vai baixar no decorrer deste ano. Ximenes esteve em Maringá para oficializar o acordo de renegociação das dívidas que a Cooperativa de Cafeicultores e Agricultores de Maringá (Cocamar) mantém com o BB e um pool de 38 bancos credores no valor de R$ 180 milhões.
O presidente do BB disse que este ano vamos ter uma produção agrícola boa, muito melhor do que no ano passado. A própria melhoria da economia como um todo, reduzindo a inflação, favorecendo a redução da taxa de juros, acaba com o problema mais grave que o produtor tinha, que era um preço que ele não conhecia e uma taxa de juros muito alta. A taxa agora está caindo gradativamente. O Banco do Brasil é a instituição que financia os programas agrícolas do país.
Caso Cocamar O acordo firmado entre a Cocamar e o BB é inédito no cooperativismo brasileiro. O Banco do Brasil é o maior credor da Cocamar, que deve 33% dos R$ 180 milhões à instituição. Para pagar a dívida, a partir de 1994, a Cocamar decidiu transformar suas unidades fabris em empresas de capital aberto, para atrair investidores. Parte da dívida entrou no programa de securitização estabelecido pelo governo federal, com prazo de sete a dez anos para pagamento, com dois de carência. Para amortizar a dívida, o BB receberá cotas da Cocamar Participações S/A, a holding da cooperativa que controla as unidades fabris transformadas em empresas de capital aberto.
O Banco do Brasil continua sendo o maior credor da Cocamar, e vai ter agora uma participação acionária dentro desta nova fase da Cocamar S/A, disse Ximenes. Sobre o acordo, o presidente do BB afirmou que o capitalismo venceu o jogo. É uma nova fase na vida das cooperativas, na relação com o dono das unidades fabris. É uma saída de mercado no sistema econômico que escolhemos para viver que é o capitalismo.
Sobre a situação do associado cooperado da Cocamar, Ximenes afirmou que ao invés dele ser dono de cooperativa, agora ele vai ser dono de empresa, da Cocamar S/A. A partir do acerto feito pelo comitê de bancos, ajustando o passivo da Cocamar, fazendo uma transformação de dívida em participação de capital, alongando a dívida da Cocamar que estava muito no curto prazo, com taxa de juro muito alta, permitindo inclusive a redução da taxa de juro que a Cocamar pagava, podemos dizer com tranquilidade que o Banco do Brasil confia e acredita na Cocamar.
Segundo Ximenes, ainda há muito trabalho a ser feito pela Cocamar, que deverá consumir os próximos nove meses no trabalho de abertura do capital, pois tem muita burocracia envolvida nisso.
O diretor da Cocamar, Edilberto José Alves, explicou que a abertura de capital das unidades fabris não é um fato inédito na economia do país: Não inventamos nada. Apenas aplicamos no cooperativismo o que é uma prática comum em outros setores da economia. O que houve é que as fontes convencionais de financiamento se esgotaram e os custos disto, hoje em dia, são impraticáveis.
Enxuta A Cocamar reduziu seu quadro funcional de 4,5 mil para 2,9 mil servidores. Produz óleos vegetais, fios de algodão e seda, suco de laranja, fécula de mandioca, álcool combustível, café torrado e moído. Seu derivado mais importante é o farelo de soja, responsável por 50% do volume de exportação da cooperativa, estimado em R$ 50 milhões anuais. A previsão de faturamento para este ano é de R$ 350 milhões. No ano passado, faturou R$ 330 milhões. O valor de seu patrimônio está calculado em R$ 270 milhões. A Cocamar tem 6.030 associados.


