WorldCom derruba bolsas do mundo todo
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quarta-feira, 26 de junho de 2002
Agência Folha 
Nova York - O escândalo da WorldCom, que pode levar à maior falência da história dos Estados Unidos, derrubou as bolsas do mundo inteiro ontem. A segunda maior companhia de telefonia de longa distância dos Estados Unidos, que no Brasil controla a Embratel, admitiu hoje ter inflado seus lucros em US$ 3,9 bilhões, agravando a crise de confiança na contabilidade das empresas americanas iniciada pelo colapso da Enron.
O escândalo, que começou com a denúncia da fraude já na terça-feira à noite pela mídia, causou um estrago maior nas bolsas asiáticas. A bolsa de Tóquio caiu 4,02% e a de Hong Kong 2,38%. Na Europa, as quedas também foram expressivas. A Bolsa de Londres caiu 2,16%, a de Frankfurt 2,47%, a de Paris 1,73% e a de Madri 1,33%.
Nos EUA, onde as bolsas funcionaram até mais tarde que as asiáticas e européias, por causa do fuso horário, os principais índices também despencaram, mas houve uma recuperação no fim do dia. Segundo operadores, as ações ficaram tão baratas que dispararam ordens automáticas de compra. Também ajudou na recuperação o anúncio da AOL Time Warner, de que seus lucros ficarão dentro do previsto.
O Índice Dow Jones, das 30 principais ações da economia americana, encerrou o dia em queda de 0,07%, depois de cair abaixo dos 9 mil pontos pela primeira vez desde outubro do ano passado. O S&P 500, que reúne quase todas as ações americanas, fechou em queda de 0,27%, próximo do nível mais baixo desde setembro, após os atentados de 11 de setembro contra os EUA.
Operadores disseram que o volume de ontem foi o sexto maior da história na Bolsa de Nova York. O Índice Nasdaq, que concentra ações de tecnologia, conseguiu recuperar as fortes perdas do dia fechando em alta de 0,38%, ajudado pela notícia da AOL.
Ações de bancos credores da WorldCom, que tem uma dívida de US$ 30 bilhões, como o Citigroup, foram fortemente afetadas. Papéis de outras empresas do setor de telefonia e fornecedoras da WorldCom também despencaram. As ações da Qwest, a quarta maior operadora de telefonia local dos EUA, cujos métodos contábeis estão sendo investigados pela comissão de valores mobiliários americana, caíram 57%.
Os detentores de títulos de dívida da WorldCom perderam mais de US$ 7,3 bilhões em uma noite, com a queda dos papéis de 78% do valor de face para 14%. As ações da empresa, que chegaram a valer US$ 62 em junho de 1999, caíram 94% este ano. As ações encerraram a quarta-feira cotadas a 83 centavos de dólar e as operações com os papéis foram suspensas na Nasdaq ontem.
O mais novo escândalo contábil de Wall Street reforçou a recente tendência de queda do dólar em relação às principais moedas do mundo. Ontem, um euro chegou a ser negociado a US$ 0,9943, maior cotação desde fevereiro de 2000. No final do dia, a moeda européia recuou um pouco e foi vendida a US$ 0,9850. No último mês, o dólar já caiu 7% em relação ao euro e 4,5% ante o iene, porque investidores estrangeiros estão tirando dinheiro dos EUA depois das perdas no mercado acionário.


