"Internet, para que serve? Para que eu vou usar isso?" Quando Herlon de Oliveira oferecia serviços de acesso à Internet para possíveis clientes de cidades do Norte Pioneiro, na década de 1990, era comum ouvir essas perguntas. Um dos pioneiros na operação de provedores comerciais no interior do País, ele coleciona histórias sobre os primórdios da tecnologia no Brasil. "Quando ia mostrar a utilidade da Internet, entrava no site do Vaticano e da Nasa", recorda.
Ele próprio entrou em contato com a web de forma curiosa. Fazia faculdade de Direito e soube que um colega estava se comunicando por e-mail com um professor do Zaire. "Foi assim que comecei a pesquisar o assunto", diz.
Entusiasta da web, ele chegou a ocupar o cargo de vice-presidente da Associação Brasileira de Provedores da Internet (Abranet) e relembra que o Brasil foi um dos pioneiros na utilização da tecnologia. "Antes da banda larga, o insumo eram linhas telefônicas, que na época eram compradas. Apesar da falta de linhas, o País começou cedo", conta.
Oliveira, que atualmente é diretor de tecnologia de uma empresa de telecomunicações, afirma que empreendeu neste negócio porque percebeu desde o início que a Internet iria mudar a forma de comunicação entre as pessoas. "Mas nunca imaginei que se tornaria uma ferramenta fundamental para a economia."
Laerte Junior Paludetto, Gilmar Machado, Tony Philip Selmer Novaes e Edvaldo Marcelo dos Santos são diretores da Gelt Tecnologia e tiveram a vida totalmente transformada pela Internet. Funcionários de carreira da Sercomtel em algum momento de suas trajetórias profissionais, eles deixaram a telefônica – que foi a primeira empresa de telefonia do Brasil a oferecer serviços de provedor de Internet – para empreenderem um novo negócio. Novaes foi o precursor das pesquisas sobre internet na companhia e logo em seguida ganhou o apoio dos atuais sócios. Antes de formatar o serviço conhecido como "Internet by Sercomtel", ele chegou a participar de uma palestra do então ministro de Telecomunicações Sérgio Motta, em São Paulo, para conversar com ele no final e conseguir autorização para implantar o serviço. "Ele nem sabia direito para o que servia, mas autorizou", diverte-se.
Ao contrário dos chefes, o jovem Haluan Hayama, programador júnior da Gelt, não lembra como era a vida sem Internet. "Quando tinha 8 anos, já usava conexão discada", conta ele, que jamais escreveu uma carta para se comunicar. "Antes do e-mail, usava ICQ", diz. Para ele, a web é sinônimo de trabalho, lazer, compras e comunicação. "Só uso telefone para falar com meus pais", brinca o rapaz, que também não imagina o mundo antes da existência de buscadores como o Google. Escrever com caneta e papel é outra realidade que não faz parte da vida de Hayama. "Só escrevo na aula de inglês. Cansa demais a mão", reclama. (C.A.)

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