Wall Street teme pela América Latina
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terça-feira, 27 de março de 2001
De Nova York 
Os economistas de Wall Street temem que a América Latina seja afetada pela crise da Argentina, que teria mais impacto financeiro na região do que a desaceleração da economia dos Estados Unidos, segundo técnicos em Nova York.
Atualmente, nosso principal temor em relação aos mercados da América Latina é que sigam as más notícias da Argentina, opinou ontem o banco de investimentos Salomon Smith Barney, em informe interno.
A crise da Argentina nos preocupa mais que qualquer continuidade de vendas maciças nos mercados de ações dos Estados Unidos, acrescenta o documento. O Brasil já sofreu o efeito do contágio com a Argentina e o México sofrerá se a Argentina fracassar, destaca em seu documento o banco Salomon Smith Barney, para quem o impacto de uma eventual crise no México sobre os Estados Unidos é sempre maior que o da Argentina.
Embora os economistas se congratulassem com as medidas anunciadas pelo governo da Argentina e pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo, as preocupações dos investidores com a Argentina não se acalmaram nos últimos dias, tendo aumentado.
Estes temores refletiram-se, na véspera, na decisão da agência de classificação financeira Standard and Poors (SP) de baixar a nota concedida à Argentina, pela segunda vez em quatro meses.
Este rebaixamento da nota, de BB- para B+, destaca o alto grau de risco dos bônus da dívida externa da terceira economia da região, agora com o mesmo grau de risco dos da República Dominicana e Bolívia. Os grandes bancos de investimentos Morgan Stanley e Merrill Lynch já recomendaram aos investidores desfazerem-se dos títulos argentinos.
A agência SP também advertiu que poderá proceder a uma nova baixa da nota se não melhorar a situação fiscal da Argentina. O problema é que o sucesso do programa de Cavallo será conhecido a médio prazo, enquanto que o fracasso poderá ocorrer a curto prazo, resumiu Salomon Smith Barney, que recomendou ontem aos investidores que permaneçam neutros em relação à Argentina.
Durante as últimas semanas, o cenário político da Argentina, e por consequência os investidores, foi impactado pela renúncia do ex-ministro da Economia, José Luis Machinea, substituído pelo ortodoxo Ricardo López Murphy, que por sua vez foi substituído por Cavallo, o pai da convertibilidade.


