Os economistas de Wall Street temem que a América Latina seja afetada pela crise da Argentina, que teria mais impacto financeiro na região do que a desaceleração da economia dos Estados Unidos, segundo técnicos em Nova York.
‘‘Atualmente, nosso principal temor em relação aos mercados da América Latina é que sigam as más notícias da Argentina’’, opinou ontem o banco de investimentos Salomon Smith Barney, em informe interno.
A crise da Argentina ‘‘nos preocupa mais que qualquer continuidade de vendas maciças nos mercados de ações dos Estados Unidos’’, acrescenta o documento. ‘‘O Brasil já sofreu o efeito do contágio com a Argentina’’ e o ‘‘México sofrerá se a Argentina fracassar’’, destaca em seu documento o banco Salomon Smith Barney, para quem o impacto de uma eventual crise no México sobre os Estados Unidos é sempre maior que o da Argentina.
Embora os economistas se congratulassem com as medidas anunciadas pelo governo da Argentina e pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo, as preocupações dos investidores com a Argentina não se acalmaram nos últimos dias, tendo aumentado.
Estes temores refletiram-se, na véspera, na decisão da agência de classificação financeira Standard and Poor’s (SP) de baixar a nota concedida à Argentina, pela segunda vez em quatro meses.
Este rebaixamento da nota, de ‘‘BB-’’ para ‘‘B+’’, destaca o alto grau de risco dos bônus da dívida externa da terceira economia da região, agora com o mesmo grau de risco dos da República Dominicana e Bolívia. Os grandes bancos de investimentos Morgan Stanley e Merrill Lynch já recomendaram aos investidores desfazerem-se dos títulos argentinos.
A agência SP também advertiu que poderá proceder a uma nova baixa da nota se não melhorar a situação fiscal da Argentina. ‘‘O problema é que o sucesso do programa de Cavallo será conhecido a médio prazo, enquanto que o fracasso poderá ocorrer a curto prazo’’, resumiu Salomon Smith Barney, que recomendou ontem aos investidores que permaneçam ‘‘neutros’’ em relação à Argentina.
Durante as últimas semanas, o cenário político da Argentina, e por consequência os investidores, foi impactado pela renúncia do ex-ministro da Economia, José Luis Machinea, substituído pelo ortodoxo Ricardo López Murphy, que por sua vez foi substituído por Cavallo, o pai da convertibilidade.

mockup