Paulo Sotero
Agência Estado
De Washington
O salto inesperado de 1,1% no Índice de Preços ao Produtor (PPI) em setembro – o maior aumento da inflação no atacado em nove anos – e uma advertência do presidente do Federal Reserve Board (Fed), Alan Greenspan aos bancos, para que reforcem suas reservas e se preparem para a eventualidade de uma uma forte correção no mercado de ações, produziram um mini-pânico ontem em Wall Street.
Alarmados com a possibilidade de uma nova elevação dos juros nos Estados Unidos, os investidores intensificaram a venda de ações na bolsa de Nova York, que está em declínio há semanas. Amplificado pela queda da bolsa, o efeito psicológico do alerta de Greenspan e da súbita alta dos preços no atacado foi tão forte que forçou a Casa Branca a se pronunciar.
O diretor do Conselho Econômico Nacional, Gene Sperling, procurou afastar a possibilidade de que o salto no PPI marque o início do fim da extraordinária expansão da economia americana, que está no oitavo ano e será a mais longa da história do país se durar até fevereiro próximo.
Ele evitou comentar as declarações de Greenspan. Mas disse que espera ‘‘crescimento sólido’’ no terceiro trimestre e reiterou sua confiança nos ‘‘fundamentos’’ da economia americana. Os EUA permanecem ‘‘num ambiente de crescimento saudável e baixa inflação’’, disse Sperling, apesar do sinal de possível ressurgimento da pressão inflacionária detetado nos preços ao atacado.
‘‘Obviamente, a administração acompanhará de perto os número da inflação no futuro’’, acrescentou ele. Desses números podem depender as chances do Partido Democrata de manter a Casa Branca e realizar sua grande ambição de retomar o controle do Congresso nas eleições de novembro do ano que vem.
Com a bolsa de Nova York em seu ponto mais baixo em seis meses no início da tarde de ontem, o mercado preparou-se para mais um dia de grande nervosismo na segunda-feira, véspera da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI). Um aumento significativo do CPI reforçará a expectativa de um novo aperto de juros na próxima reunião da Comissão Federal do Mercado Aberto do Fed, no dia 16 de novembro e manterá o mercado sob pressão. Há duas semanas, o banco central confirmou a taxa de juros mas indicou sua disposição de puxá-la para cima ao menor sinal de aumento de preços.

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