Wall Street reage e Bovespa acompanha
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terça-feira, 01 de setembro de 1998
Agência Folha 
A alta na Bolsa de Valores de Nova York, de 3,82% ontem, provocou uma forte recuperação na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) e no mercado de títulos da dívida externa de países emergentes. Depois do tombo de 39,55% em agosto, a Bolsa de São Paulo subiu ontem 6,87%. As ordens de compra vieram de todos os lados e o volume negociado chegou a R$ 630,5 milhões, contra R$ 355,74 milhões anteontem. A Bolsa do Rio fechou em alta de 5,08%.
No mercado de títulos da dívida externa, o governo brasileiro promoveu um novo aperto nos bancos que venderam papéis, como o C-bond ou o IDU, que não possuíam em carteira. O Banco Central voltou a comprar papéis, ontem, mas não alugou nenhum deles para os bancos. Resultado: quem vendeu, mas não tinha para entregar, foi obrigado a comprar, o que provocou uma alta ainda maior nas cotações dos papéis.
Não havia muitos vendedores de títulos da dívida brasileira. Os grandes fundos norte-americanos que investiam em mercados emergentes e resolveram sair por causa da Rússia já o fizeram antes, diz Carlos Eduardo Uchôa, da Liberal Asset Management. O C-bond teve uma alta explosiva, terminando o dia a 58,375% do valor de face, quase sete pontos percentuais a mais do que os 51,5% registrados anteontem. O Brasil subiu por causa de Nova York e Nova York subiu porque tinha caído muito nos últimos dias, disse Gabriel Jafet, da Oryx Asset Management.
O aumento do controle cambial na Malásia não teve reflexo nas Bolsas. A situação de crise da Ásia já está nos preços. Só alguma mudança em Hong Kong ou na China seria capaz de mexer com as Bolsas, afirmou Jafet. Apesar da recuperação, não há razões para otimismo. Os recursos que entraram na Bolsa são de curto prazo, disse Marcelo Guterman, especialista do Lloyds. Entre as dez ações mais negociadas em São Paulo, uma caiu: Telesp PN (sem direito a voto), que perdeu 2,39% de seu valor.


