Wall Street exige, em editorial, ajuda ao Brasil
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de setembro de 1998
Agência Folha 
The Wall Street Journal, diário de maior circulação dos Estados Unidos e porta-voz oficioso da comunidade empresarial norte-americana, exigiu no primeiro editorial de sua edição de ontem que o presidente Bill Clinton e o FMI digam como vão ajudar o Brasil a defender o real.
O editorial diz que a estabilidade da moeda brasileira é vital para impedir o naufrágio de anos de progresso na América Latina. Mas, diz o jornal, o governo Clinton não tem feito muito para auxiliar o Brasil. Ao contrário, afirma, o Departamento do Tesouro permitiu que a sua responsável pelo escritório do Brasil publicasse uma carta no próprio diário, em que dizia que o real está supervalorizado.
Embora o Tesouro tenha desautorizado a opinião de Britta Hillstrom e a retirado do escritório do Brasil, isso é pouco para o jornal. O Journal afirma que não adianta o FMI e o presidente Clinton dizerem que estão prontos para ajudarem o real. É preciso dizer hoje como essa ajuda vai se dar.
O editorial condena a direção do Fundo: qualquer instituição financeira que tivesse os resultados apresentados pelo FMI neste ano teria exigido a demissão de seus dirigentes: US$ 141 bilhões foram usados para tirar quatro países de dificuldades e dois deles (Indonésia em Rússia) estão em destroços e os outros dois (Tailândia e Coréia do Sul) permanecem instáveis.
O Brasil tem aparecido com destaque nos últimos cinco dias em vários jornais de prestígio dos Estados Unidos. Ontem, estava na capa do Los Angeles Times, sexta-feira na do Washington Post. No Journal e no New York Times, tem aparecido com frequência em altos de página.


