‘‘The Wall Street Journal’’, diário de maior circulação dos Estados Unidos e porta-voz oficioso da comunidade empresarial norte-americana, exigiu no primeiro editorial de sua edição de ontem que o presidente Bill Clinton e o FMI digam como vão ajudar o Brasil a defender o real.
O editorial diz que a estabilidade da moeda brasileira é ‘‘vital’’ para impedir ‘‘o naufrágio de anos de progresso na América Latina’’. Mas, diz o jornal, o governo Clinton não tem feito muito para auxiliar o Brasil. Ao contrário, afirma, o Departamento do Tesouro permitiu que a sua responsável pelo escritório do Brasil publicasse uma carta no próprio diário, em que dizia que o real está ‘‘supervalorizado’’.
Embora o Tesouro tenha desautorizado a opinião de Britta Hillstrom e a retirado do escritório do Brasil, isso é pouco para o jornal. O ‘‘Journal’’ afirma que não adianta o FMI e o presidente Clinton dizerem que estão prontos para ajudarem o real. É preciso dizer ‘‘hoje’’ como essa ajuda vai se dar.
O editorial condena a direção do Fundo: ‘‘qualquer instituição financeira’’ que tivesse os resultados apresentados pelo FMI neste ano teria ‘‘exigido a demissão de seus dirigentes’’: US$ 141 bilhões foram usados para tirar quatro países de dificuldades e dois deles (Indonésia em Rússia) estão em destroços e os outros dois (Tailândia e Coréia do Sul) permanecem instáveis.
O Brasil tem aparecido com destaque nos últimos cinco dias em vários jornais de prestígio dos Estados Unidos. Ontem, estava na capa do ‘‘Los Angeles Times’’, sexta-feira na do ‘‘Washington Post’’. No ‘‘Journal’’ e no ‘‘New York Times’’, tem aparecido com frequência em altos de página.

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