Nova York - O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no primeiro trimestre, de 2,7% sobre o mesmo trimestre do ano passado e de 1,6% sobre o trimestre anterior, foi destaque ontem nos relatórios de pesquisa enviado a investidores por vários bancos em Wall Street. Os analistas da Merrill Lynch informam que o crescimento de 2,7% sobre igual período de 2003 superou não somente o consenso do mercado, mas também a projeção da própria Merrill Lynch, que estimava um crescimento de 2% para o período. Apesar de observarem que o consumo privado cresceu apenas 0,3% sobre o trimestre anterior - indicando que os gastos dos consumidores ainda estão com um atraso na recuperação do primeiro trimestre -, os analistas da Merrill Lynch ressaltam que os últimos dados mostrando a recuperação no emprego apontam para um melhor nível de consumo neste segundo trimestre.
''Achamos que esses resultados (do PIB do primeiro trimestre) vão afetar as expectativas de crescimento apenas na margem, mais provavelmente impedindo uma revisão para baixo do que levando a um aumento nas projeções do crescimento do PIB'', dizem os analistas, em nota de pesquisa.
Já os analistas do Credit Suisse First Boston (CSFB) afirmam que os resultados aumentaram a probabilidade de que o PIB para todo o ano de 2004 supere a atual projeção do CSFB de crescimento de 3%. ''Nós vamos revisar para cima essa projeção se o dado de produção industrial do segundo trimestre sinalizar a continuação da dinâmica de crescimento do PIB observada nos últimos dois trimestres'', disseram os analistas do CSFB. Mesmo assim, ressaltam eles, é bastante provável que o consenso de mercado para a estimativa do PIB para o ano de 2004, atualmente em 3,5%, seja revisado para cima.
Também o jornal britânico Financial Times destacou em sua edição eletrônica de ontem a expansão do PIB brasileiro acima do previsto. ''A economia brasileira cresceu além das expectativas durante o primeiro trimestre de 2004, consolidando a longamente esperada recuperação após a recessão do ano passado'', diz o texto. O PIB cresceu 2,7% em comparação com o mesmo período do ano passado, ou 6,4% em termos anualizados.
''O anúncio (do dado) estava sendo aguardado com ansiedade, já que muitos investidores consideram que a economia brasileira - e o sucesso do Sr. Lula da Silva- vive um momento crucial'', disse o jornal. Em jogo estariam não apenas a popularidade do presidente, como também o resultado das eleições municipais de outubro. A publicação britânica, entretanto, apontou que até os otimistas concordam com o fato de que o crescimento está altamente concentrado nas indústrias de exportação e agricultura, e ainda precisa se espalhar para outros setores da economia.

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