O diretor de expansão da rede multinacional de supermercados Wall Mart, Ciro Schmeill, confirmou ontem a compra do terreno do antigo Colossinho, de propriedade da Taveri Participações e Serviços Ltda e declarado de utilidade pública pela prefeitura desde agosto do ano passado. Em reuniões realizadas em outubro de 2003 com representantes da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), a diretoria da rede havia incluído o terreno no projeto de instalação do supermercado na cidade. Schmeill não confirmou o valor da negociação, mas estima-se que a compra tenha se efetivado por R$ 6 milhões.
Segundo o diretor de expansão da empresa, o contrato de compra já foi assinado é só não foi efetivado porque o terreno, onde a Prefeitura pretende construir o Teatro Municipal, ainda não foi entregue à rede. ''Estamos aguardando uma posição sobre a declaração de utilidade pública do terreno'', afirmou Schmeill à reportagem da Folha.
A Prefeitura Municipal de Londrina, por meio de sua assessoria de comunicação, afirmou desconhecer qualquer tipo de negociação entre a rede de supermercados e a Taveri para a compra do terreno. ''Não existe nenhum tipo de negociação oficial relacionada ao terreno do Colossinho, que continua a ser declarado como de utilidade pública'', afirmou a assessoria. ''Estamos acertando detalhes para a desapropriação do terreno, bem como para o planejamento e contrução do Teatro Municipal.''
O presidente da Codel, Gabriel Ribeiro de Campos, declarou-se surpreso com a informação e disse que tanto a prefeitura quanto a própria Codel não devem ceder às pressões para a retirada do decreto municipal que declarou o terreno como de utilidade pública. ''Tomamos conhecimento dessa informação (da compra do terreno) por meio da imprensa. Isso me surpreende porque havíamos oferecido cinco terrenos para a direção do Wall Mart, que ficou nos devendo uma posição oficial sobre o assunto'', disse Campos.
A insistência da rede em optar pelo terreno onde a prefeitura pretende construir seu teatro deve-se a estudos de viabilidade econômica realizados na região, aprovando o empreendimento. ''O local ficou abandonado por 32 anos, e agora que a prefeitura decidiu utilizá-lo foi criada essa polêmica'', disse Campos. A Codel ainda aguarda um contato oficial da rede de supermercado sobre o assunto.
Em entrevista concedida à Folha em outubro do ano passado, a assessora imobiliária da Taveri, Sebastiana Maria Liz Wawerlg, afirmou que os proprietários do terreno não tinham preferência por compradores, pois procuravam negociar a área há pelo menos oito anos.
As negociações para receber o Wall Mart em Londrina, segundo Campos, continuam. ''A rede será muito bem vinda, pois vai gerar empregos e concorrência. Mas reafirmo que não vamos ceder às pressões para voltar atrás quanto à utilidade pública do terreno'', explicou.

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