São Paulo - A maior rede de supermercados do mundo, o Wal-Mart, sem alarde começa a se preparar para aumentar sua velocidade de crescimento no mercado nacional. O movimento tem sido percebido pela concorrência, também disposta a entrar numa briga que promete a cada ano se tornar mais acirrada. Após a compra do Bompreço em março deste ano, o Wal-Mart deu um salto do sexto para o terceiro lugar no ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), elevou seu faturamento de R$ 1,9 bilhão para R$ 5,3 bilhões e deixou os competidores do varejo mais alertas.
Na última semana, um dos executivos da empresa comentou que a companhia quer também crescer via aquisições e que em cinco anos estará próxima da liderança. O presidente do Wal-Mart, Vicente Trius, admite que gostaria de fincar a bandeira da empresa, hoje presente em 13 estados, em todas as regiões do País, mas ressalva que a liderança com prazo determinado, não é uma meta.
''Adoraríamos atender todo o País e posso garantir que vamos procurar maneiras de operar em várias cidades que não estamos para atender expectativas dos nossos clientes'', diz Vicente Trius. ''O foco do Wal-Mart sempre foi construir a empresa loja a loja, dentro dos nossos valores. O fato de sermos uma grande empresa é consequência desta prática. Nosso foco não é ser líder e sim atender às expectativas dos consumidores.''
Mas para o mercado é claro que a rede norte-americana, independente de prazos, vai se articular para conquistar a liderança. ''O Wal-Mart não é um concorrente para se contentar com um terceiro ou quarto lugar. Com escala maior eles conseguem obter melhores margens de lucro. A rede opera assim no mundo todo'', diz o consultor especializado em fusões e aquisições da Bain & Company, Rodolfo Spielmann.
Preocupação - ''É evidente que a maior organização comercial do mundo não veio para o Brasil para ficar com meia dúzia de lojas'', observa o presidente do Sincovaga, Wilson Tanaka, que representa os supermercados de menor porte. ''O varejo médio e pequeno já está preocupado com a concentração das grandes redes. Se o Wal-Mart tiver uma expansão acentuada o risco de concentração aumenta e também a dificuldade dos pequenos negociarem com os fornecedores,'' observa.
A intenção de estar presente em todo o País também é questionada por quem atua no comércio. ''Ser uma rede nacional num País de dimensão continental como o Brasil e com peculiaridades regionais é bem complicado'', diz o economista e consultor de varejo Nelson Barrizzelli. Os concorrentes também ponderam que a logística e a distribuição são questões difíceis de resolver quando se quer estar presente em todo em todo o território.

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