Wal-Mart insiste em área do Colossinho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de dezembro de 2005
Maigue Gueths <br>Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da rede varejista norte-americana Wal-Mart, Vicente Trius, afirmou ontem de manhã, que a aquisição da rede Sonae não mudou os planos do conglomerado para Londrina. Os norte-americanos mantém interesse em construir um hipermercado no terreno do Colossinho, área central, mesmo possuindo agora uma unidade dentro da cidade. A rede também tem interesse em instalar uma unidade em Maringá (noroeste do Estado), mas esse projeto não deve ser concretizado em 2006.
De acordo com o presidente de assuntos corporativos do Wal-Mart, Wilson Melo Neto, a empresa aguarda a decisão judicial para as pendências entre os donos do terreno e prefeitura de Londrina. Há cerca de dois anos, o Wal-Mart trava uma batalha com o prefeito Nedson Micheleti (PT) para se instalar no município.
A polêmica começou porque a área selecionada pela rede norte americana, mais conhecida na cidade por Colossinho, foi declarada de utilidade pública para a construção do Teatro Municipal. Uma ação popular tenta cancelar o decreto do prefeito, que recorreu no Tribunal de Justiça. O TJ ainda não decidiu sobre o recurso do município
A doação de uma área de 20 mil metros quadrados feita por um grupo de empresários ao município nos últimos 20 dias fez com que o prefeito desistisse de construir o teatro no Colossinho. Efetivada a doação, Nedson informou que cancelará o decreto que desapropria a área e, automaticamente, a ação popular que tramita no TJ será anulada. Detalhe: mesmo cancelando o decreto, o prefeito diz que não permitirá a construção do Wal-Mart no local por entender que haverá prejuízos ao pequeno comércio da área central. Ele sugere que a rede adquira outra área na cidade. A Folha não conseguiu localizar o prefeito na quinta-feira para falar sobre o caso.
''A questão é saber se Londrina deveria ter desapropriado o terreno ou se seria melhor construir no local um mercado, que traria benefícios para a economia e geraria empregos'', afirmou Trius, ressaltando a importância da cidade para a rede.
Em entrevista ontem de manhã para confirmar a aquisição dos ativos da Sonae Distribuição Brasil SA (SDB) pelo Wal-Mart, Trius garantiu que a rede não vai fechar lojas nem trocar as bandeiras dos pontos de venda. ''O Mercadorama é uma marca forte em Curitiba, ele trabalha com produtos de qualidade e parcerias regionais, e tem grande potencial para crescer mais'', analisou. Isso significa que no Paraná as lojas Mercadorama e Big manterão o nome.
Trius também enfatizou que a compra não significará perdas ao consumidor por falta de concorrência. ''Acreditamos no potecial do Brasil e queremos um negócio que venha melhorar a qualidade de vida dos clientes'', afirmou. Segundo ele, a proposta é continuar com a política da rede de preços abaixo da concorrência e de reembolso ao cliente caso a concorrência apresente preços menores.
Outras tendências, segundo ele, serão aumentar o número de fornecedores locais e customizar os produtos, procurando oferecer mercadorias compatíveis com cada realidade. Os planos de expansão da rede não incluem a região Sul neste ano. O Wal-Mart, terceira maior rede varejista do País, perdendo apenas para o Carrefour e Pão de Açúcar, em primeiro lugar, planeja construir mais 15 lojas este ano, e investir R$ 600 milhões em unidades do País.
Com a aquisição da rede Sonae, o Wal-Mart, que tinha apenas cinco unidades no Paraná passa a ter 41 lojas no Estado. A rede norte-americana pagou 635 milhões de euros, o equivalente a US$ 757 milhões pelos ativos do Sonae, rede varejista com 140 unidades (hipermercados, supermercados e atacado) nas regiões Sul e Sudeste. A rede, que pertencia ao grupo português Modelo Continente, tem 20 mil funcionários, e opera em quatro estados: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Com a aquisição, o Wal-Mart passa a operar 295 unidades, em 17 estados do Brasil e com 50 mil funcionários.


