São Paulo - O diretor-presidente do grupo americano Wal-Mart no Brasil, o catalão Vicente Trius, anunciou ontem a compra da rede Bompreço, líder do varejo na Região Nordeste, por US$ 500 milhões. Desse valor, o Wal-Mart pagará ao grupo holandês Royal Ahold US$ 300 milhões pela rede de varejo constituída de 118 lojas e o Unibanco, outros US$ 200 milhões pelo cartão de crédito e afinidade Hipercard, com uma base de 2,3 milhões de usuários e faturamento de R$ 3,6 bilhões no ano passado.
O presidente do Unibanco, Joaquim Francisco de Castro Neto, que participou do anúncio, disse que o negócio amplia a base da administração de cartões pelo banco e marca o ingresso da instituição em um mercado mais popular. O acordo prevê que nos próximos 10 anos, renováveis automaticamente por 10 anos, os cartões continuarão a ser emitidos na rede Bompreço e poderão ser usados em outros 60 mil estabelecimentos do Nordeste, com os quais o cartão de crédito tem acordo.
Com o negócio, o grupo americano, líder mundial do varejo, sai da sexta posição no País para a terceira, que já era ocupada pelo Bompreço, mas se distancia do quarto lugar, onde figura a rede portuguesa Sonae. A liderança permanece com o Grupo Pão de Açúcar, seguido do grupo francês Carrefour.
A Wal-Mart, garantiu Trius, manterá a marca e os 20 mil funcionários da rede. ''A cultura do Bompreço e a do Wal-Mart são muito similares'', disse Trius, alegando que haverá uma troca de informações. A sede do Walt-Mart continuará em São Paulo, enquanto as operações do Bompreço continuarão centradas no Recife, a capital pernambucana.
Trius se recusou a comentar possíveis negociações do Wal-Mart para aquisição do Carrefour, cujos rumores têm ocupado espaço na imprensa internacional. ''O Wal-Mart analisa todas as oportunidades de negócios para prestar melhor serviço aos clientes'', disse e repetiu toda vez que lhe perguntaram sobre aquisições e estratégias tanto no País como no exterior.
A rede G. Barbosa, que também pertence ao grupo Royal Ahold, ficou de fora do negócio. A sua aquisição continua em avaliação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em razão da concentração de mercado na Região Nordeste. No caso do Wal-Mart, seus executivos não acreditam que enfrentarão grandes obstáculos ao levar o negócio para aprovação do Cade até porque a rede hoje ocupa a sexta posição no ranking e passa a terceira, posição que a Bompreço já ocupava.

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