Wagner admite criação de frentes emergenciais
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quinta-feira, 25 de setembro de 2003
Biaggio Talento<br> Agência Estado 
Salvador - O ministro do Trabalho Jaques Wagner se disse disposto a conversar com representes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) sobre a proposta de criação de frentes emergenciais de trabalho nas regiões metropolitanas das capitais brasileiras para combater o desemprego. ''Isso não estava no campo das ações previstas na nossa pasta, mas podemos analisar, embora no orçamento não haja recursos'', disse o ministro ontem em Salvador, onde preside a Conferência Interamericana dos Ministros do Trabalho.
Wagner acha que essas frentes devem resultar em ações efetivas como a construção de habitação popular e obras de saneamento, áreas ligadas ao Ministério das Cidades. ''Medida emergencial não é a melhor solução, nós estamos interessados em construir um processo que garanta desenvolvimento sustentado combatendo estruturalmente a questão do desemprego'', disse, lembrando que o governo federal já adotou algumas medidas emergenciais como as linhas de microcrédito e a chamada MP do desconto na folha, pela qual o trabalhador vai poder comprar a crédito pagando as prestações com desconto direto no seu holerite.
Conforme o ministro, o governo vai acompanhar as negociações entre as centrais sindicais e os bancos para que a medida seja implementada, mas assinalou que a balança nesse caso precisa pender para o lado do trabalhador. ''Isso deve favorecer o tomador de empréstimo, pois o risco (spread) do banco receber as parcelas é zero, de forma que se aguarda uma queda grande dos juros'', disse.
O ministro admitiu que não esperava que o índice de desemprego nas regiões metropolitanas voltasse a subir (de 12,8% para 13%). ''Apostava mais na tendência de queda e não nessa estabilização, embora tenhamos informações que no campo as ocupações têm aumentado. Em setembro, com mais um bom resultado das exportações, o índice deve cair''.
Sobre a conferência dos ministros de trabalho, Wagner frisou que o consenso entre os participantes é que não se pode mais manter a política econômica desvinculada da política do trabalho e do emprego. ''Em uma década de globalização a pobreza se tornou aguda e não podemos permitir que ela se agrave ainda mais'', disse o ministro, defendendo a ''variável laboral'' como uma prioridade e que isso deve se refletir nas negociações do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI).


