A diretoria da montadora Volkswagen/Audi inaugurou ontem sua fábrica, em São José dos Pinhais - na Região Metropolitana de Curitiba -, em clima de festa, mas de olho no comportamento do mercado consumidor de automóveis, nas exportações e na manutenção do emprego. A apreensão se deve às mudanças na política monetária do País, que provocaram a desvalorização do real frente ao dólar e acabaram com o sistema de bandas cambiais. O presidente da Volkswagen do Brasil, Herbert Demel, afirmou que o momento sinaliza para um investimento na exportação, mas a montadora ainda não definiu se esta será a estratégia adotada. ‘‘Hoje, está mais simples exportar, mas não sabemos se isso se manterá em seis meses’’, afirmou Demel.
Ele garantiu, no entanto, que haverá uma aceleração no processo de nacionalização dos automóveis, para baratear o custo de produção. A princípio, a fabricação dos carros Audi A3 e o Novo Golf é para abastecer o mercado nacional, apesar de haver uma demanda de exportação para a Argentina. A fábrica de São José dos Pinhais tem hoje uma capacidade máxima de produção de 550 carros ao dia, mas ainda é cedo para avaliar quantos carros vão ser fabricados nos primeiros meses. ‘‘Começamos com um, dez e cem carros. Tudo vai depender do mercado.’’ Demel afirmou que, até a semana passada, a Volkswagen estimava vender, em 99, a mesma quantidade de carros do ano passado, mas, agora, os números podem mudar.
Durante toda a solenidade de inauguração, os diretores da Audi, o presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Jaime Lerner citaram o andamento da economia nacional. O presidente do Conselho de Administração do Grupo Volkswagen, Klaus Liesen, afirmou que há uma preocupação com a crise brasileira e mundial. ‘‘Acreditamos que a crise mundial será temporária. Ela passará em breve’’, afirmou, com otimismo, ao enfatizar que a Alemanha intermediará a aproximação do Mercosul com a Comunidade Européia.
A Volkswagen deixou claro que não tem planos de seguir o caminho de outras montadoras que optaram pela demissão de funcionários, como a Ford. No discurso que fez na inauguração, o presidente da Volkswagen do Brasil ressaltou o acordo feito no final do ano passado, pelo qual os trabalhadores concordaram em reduzir salários e a empresa instalou um programa de demissões voluntárias. ‘‘Nós conseguimos fazer um contrato inédito até hoje. Se for um contrato estável e se nossa faixa de mercado se mantiver estável, nós não precisaremos mudar nossa política’’, afirmou Herbert Demel.
A montadora estima que terá de repassar aumento de impostos para o preço final dos carros, como já foi anunciado pela Ford e Fiat. ‘‘Nós montadoras estamos em situação bem crítica. Fomos influenciados negativamente com as duas crises. Nós precisamos aceitar impostos, mas temos de aumentar preços também’’, afirmou o presidente da Volkswagen.

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