VW prevê retração de 10% no Brasil em 98
Arquivo FolhaPara o exteriorA Volkswagen pretende exportar para os Estados Unidos 25% da produção do Audi fabricado no Paraná, criando em São José dos Pinhais um ‘‘centro de exportação’’
O presidente da Volkswagen do Brasil, Herbert Demel, disse ontem que o mercado brasileiro de veículos deverá diminuir 10% este ano. Em 1997 a venda de veículos no País, incluindo os importados, somou 1,943 milhão de unidades, 12% mais do que no ano anterior.
A indústria ainda não retomou o ritmo de outubro, data em que o governo editou medidas de ajuste fiscal como forma de reduzir o consumo. Apesar da crise no setor, a Volkswagen concentra esforços para não diminuir a produção e, assim, manter a liderança. A marca alemã é líder do mercado brasileiro, com 30% das vendas de veículos, incluindo caminhões e ônibus. Mas é no segmento de automóveis que a Volkswagen vem sendo ameaçada pela Fiat.
A empresa alemã não conta com lançamentos significativos para este ano. Mas no próximo ano entram em linha o Audi A3 e o novo Golf, que serão produzidos na fábrica que está sendo construída no Paraná - em São José dos Pinhais - num investimento de US$ 750 milhões.
A Volkswagen pretende exportar para o Estados Unidos 25% da produção dos modelos Audi e Golf que serão produzidos na nova fábrica do grupo Volkswagen, no Paraná, a partir do final deste ano. A informação é da diretora de assuntos governamentais da Volkswagen, Elizabeth de Carvalhaes, para quem a política da indústria automotiva brasileira tem hoje a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) como um dos principais focos.
‘‘Não queremos mais limitar nossa ação de exportação em mercados como os do Oriente Médio’’, destacou a executiva, em entrevista exclusiva à Agência Estado. ‘‘Não que esses mercados não sejam importantes; mas gastamos milhões para conseguir produtos com um padrão de qualidade que atende às exigências dos blocos comerciais da América’’, destacou. A Alca está na pauta da reunião que os representantes das montadoras do Brasil começam hoje em Genebra.
A fábrica que está sendo construída no Paraná produzirá média diária de 700 unidades do modelo compacto de luxo Audi A-3 e do novo Golf, da própria Volkswagen. Esta será a primeira fábrica Audi - que pertence ao grupo Volkswagen - fora da Alemanha. ‘‘Já decidimos direcionar 25% da produção para os Estados Unidos de qualquer maneira’’, assegurou Elizabeth. ‘‘Queremos ser um centro de exportação.’’
Segundo ela, a força de um bloco econômico como o da Alca força as empresas instaladas no Brasil com tradição de exportação a reforçar seus planos de venda para a região. ‘‘Já decidimos ser um centro especial de produção de veículos para a região’’, acrescentou.
Segundo a executiva, a Volkswagen de hoje ‘‘é diferente da Volkswagen de 20 anos atrás’’. Ela lembra que naquela época a empresa operava com o conceito de trabalhar para um mercado que absorvia sozinho a totalidade da produção.
Hoje a companhia trabalha dentro do padrão de qualidade exigidos pela matriz alemã (chamado Audit). ‘‘Já que nos preparamos no Brasil para produzir dentro do conceito europeu os carros que fizermos aqui podem entrar nos mercados das Américas’’, completou.
A Volkswagen já exportou na década passada para os Estados Unidos o modelo Voyage, que seguia com o nome Fox. À época, quando a economia brasileira estava fechada, a montadora produzia o veículo com uma série de diferenças tecnológicas e de segurança para atender às exigências do mercado norte-americano.

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