VW pode transferir linha do PR para SP
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sexta-feira, 16 de novembro de 2001
Das agências<br>De São Paulo 
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, que está em Wolfsburg (Alemanha) negociando a reversão das 3.000 demissões da fábrica de São Bernardo do Campo da Volkswagen, disse ontem que ''foi possível avançar além do que se havia conseguido no Brasil''.
Marinho se reuniu com o vice-presidente mundial de Recursos Humanos da Volks, Peter Hartz, o presidente da Volkswagen do Brasil, Herbert Demel, que embarcou às pressas para a Alemanha, e com o funcionário da empresa e também sindicalista Mário Santos Barbosa.
O sindicalista negocia a garantia da produção de novos veículos na unidade do ABC. Uma de suas propostas é transferir uma unidade de produção paranaense, em São José dos Pinhais, para São Bernardo do Campo. O próprio Demel afirmou que a flexibilização de jornada de trabalho e salários poderia garantir investimentos extras de R$ 1 bilhão para a produção de um modelo derivado do Polo que entrará em linha no primeiro trimestre de 2002 e poria a unidade Anchieta (de São Bernardo do Campo) em condições de disputar um terceiro projeto, o de um carro por enquanto chamado ''Tupi'', que também está sendo reivindicado por outros países, como a China.
Apesar de enxergar ''avanços'' nas negociações, Marinho disse ontem que ''não foi possível avançar tudo o que gostaríamos''. A reunião durou cerca de três horas e meia. Segundo Marinho, hoje é o último dia de reuniões com os dirigentes da Volkswagen na Alemanha na tentativa de um acordo que coloque fim à greve na unidade da empresa em São Bernardo.
Os 16 mil trabalhadores da unidade estão parados desde segunda-feira. As dispensas ocorreram depois que os trabalhadores não aceitaram a proposta de flexibilização apresentada pela empresa. O programa inclui redução de jornada e salários em 15%, rotatividade mensal de 0,5% do número de funcionários, nova tabela com salários até 30% inferiores para futuras contratações e terceirização de alguns setores, entre outros itens. ''Aceitar essa proposta era o mesmo que assinar a carta de demissão'', justificou Marinho. Para a Volks, reduziria custos e garantiria a competitividade da fábrica.
As demissões da fábrica da Volks no ABC paulista foram comunicadas por carta no último dia 8 de novembro. O aviso de demissão aconteceu um dia depois de a montadora dar três dias de licença remunerada para 23 mil trabalhadores, das fábricas de São Bernardo do Campo e de Taubaté, no interior de São Paulo.


