A direção da Volkswagen confirmou ontem a construção de uma fábrica conjunta com sua subsidiária Audi no município de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba. O protocolo de intenções para a instalação da montadora foi assinado no Palácio do Planalto, em Brasília, entre o presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador Jaime Lerner e o presidente da Volkswagen do Brasil, Herbert Demel.
A Volks do Brasil e a Audi alemã vão investir 750 milhões de marcos (R$ 500 milhões) na construção da nova unidade. As obras começam em janeiro de 97 e a fábrica deve iniciar a produção em 1999. Inicialmente, serão fabricados por ano 30 mil modelos Audi A-3, compacto lançado em setembro deste ano, e 30 mil modelos Vento, da Volks. A capacidade total de produção será de 120 mil carros por ano (30% do Audi A-3).
O anúncio oficial da inclusão do Golf foi adiado para março de 97, quando também serão confirmados investimentos complementares de R$ 250 milhões, na unidade paranaense. É que a Volks planeja concentrar a produção mundial desse modelo no Brasil e no México, transferindo para São José dos Pinhais a linha sediada hoje na Alemanha, onde os altos custos estão inviabilizando a manutenção da montagem do Golf.
A direção da nova fábrica será toda concentrada em São José dos Pinhais. O presidente da Audi do Brasil, Nicolas Fayl, será o presidente da nova unidade.
O presidente Fernando Henrique Cardoso, que na semana passada havia recebido a direção da General Motors e o governador Antonio Britto (RS) para anunciar a instalação de uma unidade da GM no Rio Grande do Sul, ficou entusiasmado com a decisão da Volks. ‘‘Mais uma fábrica no Paraná é motivo para o Brasil todo comemorar’’, disse o presidente.
‘‘Até o final de 1998 esperamos atrair investimentos de R$ 12 bilhões’’, afirmou o governador Jaime Lerner. Somados, os investimentos da Volks, da Renault e da Chrysler, que já anunciaram a construção de fábricas em São José dos Pinhais e Campo Largo, representam R$ 1,75 bilhão. A montadora tcheca Skoda ainda deve confirmar uma fábrica de motores a gás para caminhões, com investimento de R$ 30 milhões.
O governador garantiu que o Estado não utilizou benefícios fiscais para atrair a Volks e a Audi. ‘‘Deixem que eles (os outros Estados) joguem com os incentivos. Nós jogamos com qualidade de vida, capacitação de recursos humanos’’, afirmou Lerner. O governador disse acreditar que os fornecedores das montadoras que estão se instalando na região metropolitana de Curitiba possam escolher municípios do interior do Estado.
O secretário da Fazenda, Miguel Salomão, revelou ontem à noite, ao desembarcar em Curitiba, que o governo vai colocar recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE), na forma de financiamentos, à disposição da Volks. Mas não citou valores. ‘‘Não haverá participação societária, como na Renault’’, garantiu Salomão.
Segundo a Volks, a nova fábrica deve gerar entre 1,5 mil e 2 mil empregos diretos e cerca de 10 mil indiretos, além de 200 a 300 empregos em outras unidades da Audi no mundo. Pelo menos 40% dos componentes utilizados no A-3 serão fornecidos por outras fábricas da Audi, segundo admitiu ontem a direção da empresa em Ingolstadt, na Alemanha.
Dos 30 mil modelos A-3 produzidos em São José dos Pinhais, 25 mil vão abastecer o mercado brasileiro. O resto será exportado para países da América Latina. Hoje, a Audi vende cerca de 2,5 mil carros por mês no Brasil. Com a capacidade projetada para a fábrica paranaense da Audi, o Brasil passa a ser o oitavo mercado mundial da montadora, depois da Alemanha, Hungria, China, Malásia, Indonésia, Filipinas e África do Sul. (*) Com agências nacionais e internacionais

Negócio fechado

O governador Jaime Lerner entre o presidente da Audi, Herbert Demel, e da VW, Pierre De Smedt, no Palácio do Planalto. Ao lado, o terreno, de 2 milhões de metros quadrados onde vai ser instalada a fábrica Audi/Volks em São José dos Pinhais: esta é a terceira grande montadora estrangeira a anunciar investimentos no Paraná este ano

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