Agência Estado
De São Paulo
O vice-presidente de Assuntos Corporativos da Volkswagen, Miguel Jorge, disse que o acordo automotivo entre Brasil e Argentina, fechado anteontem, está dentro da expectativa da indústria, mas criticou a demora dos dois países na negociação das regras.
‘‘O acordo poderia ter sido acertado em janeiro porque já tínhamos condições para isso’’, observou. De acordo com ele, a demora na negociação não resultou em prejuízos às indústrias dos dois países, mas trouxe insegurança para o processo econômico.
Miguel Jorge considerou natural que as regras do regime automotivo estabeleçam concessões à indústria Argentina, em posição menos competitiva. ‘‘Concordo com o presidente Fernando Henrique quando ele diz que nós temos que ser generosos com os nossos parceiros’’, disse. ‘‘Pela economia de escala que nós temos e pela desvalorização do Real, o Brasil tem uma vantagem grande sobre a Argentina.’’
O acordo fechado, que deverá ser ratificado por Paraguai e Uruguai, estabelece regras de transição até 31 de dezembro de 2005, quando passará a vigorar o livre comércio entre os países do Mercosul. Durante a transição, a indústria Argentina terá um grau de proteção maior, que irá decrescendo ao longo dos anos.
Haverá uma flexibilidade crescente da balança comercial automotiva entre os dois países, que favorecerá o mais competitivo. No primeiro ano de transição, o mais provável é que o Brasil seja beneficiado, o que implicará que, para cada 106,2 carros vendidos à Argentina, o País terá que importar 100 – um índice de variação de 6,2%. No segundo ano do regime, o grau de flexibilização será de 10,5%; no terceiro, de 16,2%, até chegar a 22,2% no quarto ano. O percentual para 2004 e 2005 será definido futuramente.