'Vozes da pobreza' mobilizou 60 mil pessoas em 60 países
O fórum promovido em Estocolmo pelo Banco Mundial e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) contou com a presença de funcionários responsáveis pela cooperação internacional de diversos governos, de representantes do Programa da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Banco Mundial, duas instituições que em suas últimas publicações estabeleceram a vinculação entre democracia e pobreza.
Funcionários da Suécia, da Holanda e do Canadá manifestaram-se decepcionados com a falta de resultados de muitos dos programas de redução da pobreza adotados em várias partes do mundo. Eles também reconheceram a sua desorientação a respeito de como participar na resolução desses problemas de forma mais eficiente, com resultados objetivos.
Deepa Narayan, compiladora do livro Vozes da Pobreza, publicado pelo Banco Mundial, comentou, em Estocolmo, que o trabalho do organismo responde à necessidade de se conhecer, de forma direta, os anseios dos despossuídos. O trabalho foi amplo e envolveu 60 mil pessoas de 60 países, segundo ela.
O Banco Mundial e o PNUD apoiaram a realização desse fórum porque dizem dividir a mesma preocupação sobre a falta de participação dos mais pobres nas democracias em todas as partes do mundo. As duas instituições concordam no diagnóstico sobre as dificuldades práticas desse sistema de governo em resolver os gritantes problemas sociais.
No último relatório do PNUD, inclusive, é apontado o tema da pobreza atravessado pela democracia e o bom governo, e é lançada a idéia que o fórum abraçou como tema principal de um elo perdido entre os governos democráticos e a redução do estado de pobreza mundial.
Narayan falou de suas preocupações com os bons resultados econômicos conseguidos por países como China, Cuba e outros do sudeste asiático, enquanto os da Europa oriental, que abraçaram a democracia, assistem ao crescimento desenfreado da pobreza.
Nesse sentido, Federica Mogherini, do Fórum Mundial da Juventude, traçou um triste panorama sobre a falta de oportunidades dos jovens em um sistema político vigente em vários países e que não parece disposto a incluí-los.
O próprio vice-presidente do Banco Mundial, Matt Karlsson que participou do encerramento do fórum reconheceu que a receita de crescimento econômico, educação e saúde não foi suficiente para reduzir a pobreza. Ele reconheceu também, que não foi possível reformar os estados e liberalizar os mercados.
Save-Soderberghh saudou a mudança de mentalidade do Banco Mundial e disse que esta reversão de estratégia é importante para a busca de soluções concretas à situação de pobreza mundial. Recordou que a entidade, há dez anos, tinha o livre mercado como evangelho. (Marcela Valente, da Inter Press)





