Votorantim não pode usar dinheiro pago pelo BB
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Ana Paula Ribeiro<br> Agência Estado 
São Paulo - O Banco Votorantim não poderá fazer uso imediato dos recursos que serão pagos pelo Banco do Brasil. Um pagamento de R$ 3,75 bilhões está previsto para ocorrer em abril, após aprovação - pelo Banco Central - da operação de compra de 50% do capital total da instituição pelo BB, mas R$ 3 bilhões ficarão depositados e serão sacados gradualmente nos prazos de 6 meses, 12 meses e 18 meses, segundo afirmou ontem o vice-presidente de Finanças e de Relações com Investidores do BB, Aldo Luiz Mendes. ''Isso dará um suporte ao caixa da companhia''.
Além da parcela de R$ 3,75 bilhões, em que R$ 750 milhões serão destinados a distribuição de dividendos da Votorantim Finanças, o BB pagará outros R$ 450 milhões seis meses após o primeiro pagamento. Ao todo, a instituição pública pagará R$ 4,2 bilhões pela compra de metade do capital total do Banco Votorantim e 49,99% do capital votante. A Votorantim Finanças é a holding que controla o banco da família do empresário Antônio Ermírio de Moraes.
O acordo assinado entre os dois bancos prevê, no entanto, que o valor que será pago ao Votorantim poderá sofrer um ajuste, para mais ou menos, de até R$ 840 milhões. O preço exato será definido em nova ''due diligence''. ''Os R$ 840 milhões ficarão retidos no Banco do Brasil por quatro meses a partir da data de fechamento e liquidação'', disse o executivo.
Mendes acrescentou ainda que o BB irá fornecer ao Banco Votorantim uma linha de crédito específica. Dessa forma, a instituição privada terá acesso aos chamados recursos de menor custo do BB (depósitos à vista, de poupança e judiciais). O executivo espera ainda que a própria parceria entre os dois bancos faça com que o Votorantim consiga no mercado um custo de captação menor e com prazos mais longos.
O diretor-financeiro do Banco Votorantim, Marcelo Parente Vives, informou que o custo de captação médio da instituição está em 103% do CDI. No entanto, não esclareceu se essa taxa sofreu elevação recente.
Pedro Carlos de Mello, da Unidade de Contadoria do BB, explicou ainda que apenas a parcela de R$ 750 milhões, que será distribuída como dividendos à Votorantim Financeira, está sujeita à amortização de ágio. Como não foi feita a aquisição do capital total do Banco Votorantim, o ágio poderá ser aplicado apenas sobre a parcela referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ou seja, sobre 15% dos R$ 750 milhões, o que resultaria em um efeito fiscal de R$ 112,5 milhões. O contador não soube dizer em qual prazo essa amortização de ágio será feita.


