São Paulo - Na contramão da indústria cimenteira, que projeta retração dos negócios, a Votorantim Cimentos espera aumentar em 30% a venda de argamassas industrializadas (básicas e colantes) neste ano em relação ao anterior, atingindo um total de 900 mil toneladas. Para tanto, aposta no crescimento de 10% a 15% de sua base de clientes, hoje estimada entre 7 mil e 8 mil compradores ativos. A substituição de argamassas misturadas na obra (in loco) por produtos industrializados deve sustentar a expansão da clientela.
A carteira da Votorantim Cimentos, no segmento de argamassas prontas, é composta por revendedores e construtores, sendo que estes últimos representam de 10% a 15% do total, mas exibem o maior índice de crescimento percentual, de 15% a 20% ao ano.
Segundo o gerente de negócios de argamassas da empresa, Rene Pierre Vogelaar, a necessidade de reduzir os custos de construção levou os empreiteiros a racionalizar as obras, adotando argamassas industrializadas.
Embora o material seja 30% mais caro que a argamassa misturada in loco, seu custo final por metro quadrado (m2) fica de 5% a 13% mais barato. Conforme Vogelaar, a economia vem da redução do desperdício de materiais e, sobretudo, do aumento da produtividade, expresso pela relação homens/hora/m2. ''Tudo o que adiciona ganhos de produtividade ao construtor, vende'', afirmou Vogelaar.
Foco no construtor - O mercado, segundo ele, é bastante promissor, já que apenas 5% da argamassa consumida é industrializada. Além disso, as construtoras compram metade da argamassa industrializada no País.
No ramo do cimento, o peso se inverte: os varejistas demandam 85% das vendas e os consumidores industriais, 15%. ''O desafio é avançarmos sobre o mercado de argmassas in loco'', definiu.
Por isso, os construtores são o principal alvo da Votorantim Cimentos. Não apenas porque são mais sensíveis a materiais que racionalizam a obra, mas porque têm um efeito multiplicador na divulgação do novo método. Isto porque pedreiros, serventes e mestres-de-obra acabam conhecendo o produto quando trabalham em grandes obras, absorvem a metodologia e a aplicam em obras menores, quando contratados por particulares para reformas, ampliações ou pequenas construções.
''Os consumidores ainda não têm hábito de procurar argamassas industrializadas na revenda, mas acredito que, em cinco anos, o mercado estará desenvolvido'', estimou Vogelaar.

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