Voracidade dos preços corrói o salário
Os produtos que compõem a mesa do brasileiro podem até ser fabricados aqui. Mas a cotação de seus insumos é feita lá fora. Por exemplo: o arroz é vendido nas Bolsas dos EUA, e os vendedores brasileiros seguem as variações desse mercado. Como o real passou a valer menos, foi preciso dispensar mais reais para comprar uma saca de arroz, cotado em dólares no País. Esse custo foi repassado ao consumidor, que come arroz nacional, mas paga segundo a cotação no exterior.
O consumidor deve ficar atento porque nem todo aumento tem justificativa. Edmundo Klotz, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), levanta a questão: ''O frango, por exemplo, não pode subir tanto. A ração tem soja, que é cotada em dólar, mas o aumento não pode ser abusivo''.
Reajustes em alguns itens também podem não ter relação com o dólar. São a quebra de safra ou a falta de produto no mercado interno que podem fazer o preço do produto se elevar.
Algumas saídas para fugir das remarcações estão descartadas. Uma delas é a possibilidade de substituir produtos mais caros pelos mais baratos. O macarrão, por exemplo, também subiu (6,95%) em outubro. Isso porque a farinha de trigo tem insumo (trigo) cotado em moeda estrangeira.
Um aumento na renda poderia compensar a forte disparada nos valores dos produtos. Mas isso não ocorreu.
Em setembro, houve recuo de 2,2% na renda do brasileiro em relação ao mesmo mês do ano passado. No confronto com agosto, a retração foi de 0,4% e, no acumulado do ano, de 3,8%. Em valores, a renda média ficou em R$ 800,29, informa o IBGE, que estuda o assunto. Para o instituto, a renda não só deixou de acompanhar a escalada da inflação, como é corroída por ela.





