Volvo reduz produção e corta 64 trabalhadores
A montadora de ônibus e caminhões Volvo - empresa sueca instalada na Cidade Industrial de Curitiba - anunciou ontem a demissão de 64 trabalhadores da linha de montagem. O enxugamento, que representa 7% do total de 957 funcionários do setor de produção, vem seguido de redução na produção diária. A partir de segunda-feira serão fabricados 20 caminhões por dia, sete a menos do que vinha sendo fabricado.
A decisão da empresa foi tomada após uma semana de negociação com o grupo que integra a Comissão de Fábrica da Volvo. A idéia inicial era adotar apenas um período de férias coletivas e intensificar o banco de horas, mas a possibilidade foi descartada após uma análise do prolongamento da crise econômica internacional. A direção da Volvo estima que o mercado só voltará a se aquecer após 12 meses. A previsão para o próximo ano é de queda de 30% nas vendas de caminhões pesados e de 15% no comércio de ônibus. As vendas para o mercado externo também apresentaram redução nos últimos meses.
Antes de optar pela demissão, a Volvo implantou algumas medidas para cortar gastos. Dias após o governo federal ter anunciado o aumento da taxa de juros de 19% para 49,5%, a montadora acabou com uma hora extra diária que os funcionários recebiam e extinguiu a jornada aos sábados.
O diretor de Recursos Humanos e Assuntos Corporativos da Volvo, Carlos Morassuti, disse que além do programa de redução de gastos, a Volvo vai adotar as férias coletivas neste ano. Há alguns meses, a diretoria e os trabalhadores tinham feito um acordo para cancelar as férias coletivas de 10 dias em dezembro, que vinham sendo feitas todos os anos. O momento de vendas estava bom e havia estimativa de aumentar a produção. Agora, as férias serão entre os dias 21 e 31 de dezembro e mais dez dias no início de fevereiro.
A Comissão de Fábrica da Volvo, formada por um grupo de funcionários, entendeu a redução de pessoal. O coordenador da Comissão de Fábrica, Nelson Silva de Souza, avaliou o processo de demissão como um período difícil para o setor. A gente está acostumado a dar notícia boa para os colegas e agora temos que enfrentar a demissão, disse Souza. Ele afirmou que a Volvo cogitou a demissão de maior número de funcionários, mas concordou em demitir os 64.
A última demissão na Volvo foi feita em 1996, quando houve um programa de demissão voluntária, que resultou na redução de 200 trabalhadores interessados em se aposentar ou trocar de emprego. (C.M.)





