Carmem Murara
De Curitiba
A diretoria da montadora de ônibus e caminhões Volvo, com sede em Curitiba, inaugurou ontem a unidade de usinagem de blocos de motor, que servirá para produzir componentes para exportação. A intenção é vender para o mercado externo mil motores até o final do ano, passando a ser a primeira fábrica fora da matriz Suécia a ter uma linha de produção de motores. O investimento foi de US$ 40 milhões que se somam aos US$ 20 milhões injetados em 1999.
Até o início deste ano, a Volvo utilizava os blocos de motor importados da Suécia. Mas com a usinagem em atividade, a nacionalização aumenta e reduz a importação. As peças passam a ter um índice de nacionalização de 65%, contra 60% no ano passado, situação que beneficia diretamente as fornecedoras. Entre elas está a fornecedora de blocos Tekside de Betim (MG).
O presidente da Volvo do Brasil, Ulf Selvin, disse ontem, durante a solenidade de inauguração, que a montadora terá de acelerar a fabricação de motores para atender a demanda doméstica e a venda para o exterior. A solenidade contou com a presença do governador Jaime Lerner. Selvin ressaltou que os investimentos deverão continuar para garantir o abastecimento do mercado. Quanto à exportação, o primeiro lote de 600 motores embarcará para a Austrália até julho.
A unidade de usinagem da Volvo faz parte da estratégia mundial da montadora de fixar suas bases na Suécia, Estados Unidos e Brasil. A montadora inaugurou também uma fábrica na Índia, que irá importar motores. ‘‘Curitiba passa a ser parte integrada do sistema global Power Train (trem de força)’’, afirmou o presidente mundial da divisão Power Train da Volvo, Stem Ake.
A decisão de transformar a fábrica de Curitiba numa unidade exportadora foi estimulada com a desvalorização do real no início do ano passado. O desaquecimento do mercado interno foi outro fator que fez a montadora rever seus planos de atuação. Com possibilidade de produzir até 12 mil unidades ao ano, a Volvo permaneceu com mais de 60% da capacidade ociosa em 1999. Stem Ake disse em seu discurso que a Volvo produz 80 mil motores por dia em todo o mundo, sendo que a fábrica paranense corresponde a 5% do total. Mas a participação tende a aumentar, chegando a 9% no final deste ano.

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