A Volvo do Brasil lançou ontem em suas instalações na Cidade Industrial de Curitiba a primeira fábrica de motores para caminhões e ônibus a ser montada fora da Suécia. A princípio a fábrica apenas fará a montagem dos motores e numa segunda etapa, possivelmente na metade do ano que vem, estará executando também a usinagem dos blocos. O investimento soma US$ 60 milhões, sendo US$ 15 milhões para a linha de montagem e mais US$ 45 milhões para a usinagem.
De acordo com o presidente da Volvo do Brasil, Ulf Selvin, a criação da fábrica de motores em Curitiba já havia sido planejada há dois anos e o início de suas atividades acontece num momento bom para a indústria, pois a variação cambial tornou a exportação interessante pela elevação do preço do dólar.
Mas se a elevação do dólar é boa para a exportação, Ulf Selvin evitou falar nos efeitos da oscilação cambial no mercado interno. ‘‘A variação cambial da forma como está acontecendo dificulta qualquer cálculo’’, justificou ele. Selvin também considera que 99 será um ano ‘‘altamente recessivo’’ para o Brasil, mas disse que o controle da inflação como está sendo conduzido pelo governo brasileiro faz com que a Volvo continue a apostar no mercado interno.
O presidente da empresa suecaespera manter uma boa produtividade este ano, apesar da situação do mercado. No ano passado, a Volvo produziu 4.094 caminhões e 1.085 ônibus, sendo que a sucursal brasileira respondeu por 15% da produção mundial de caminhões da indústria sueca.
A empresa não fez o levantamento de quanto espera faturar com as exportações de motores. A capacidade plena da fábrica de motores será de 40 unidades diárias, mas este número dependerá do volume de vendas de caminhões e ônibus.
O primeiro produto a sair da linha de montagem da fábrica será o motor do caminhão FH 12, que é fabricado no país desde o início do ano passado e é o caminhão mais vendido no mundo desde 1993, com um total de 130 mil unidades comercializadas. A Volvo quer reduzir os custos de produção desse veículo e aumentar o índice de nacionalização do motor, que já chega a 60%.
O novo empreendimento da Volvo adotará as mais modernas normas de fabricação do mundo, utilizando procedimentos automatizados em cerca de 60% da linha de montagem. Foram contratados 20 funcionários, que fizeram cursos na Alemanha e Suécia antes de iniciar as suas atividades.Kraw PenasEm produçãoO presidente da Volvo do Brasil, Ulf Selvin, com o primeiro motor montado na unidade da CICMarco Antonio Assef
Especial para a Folha

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