São Paulo - Tentando manter o "alto astral", apesar de nenhum sinal de recuperação da economia brasileira, diretores da Volvo América Latina apresentaram ontem o balanço do grupo de 2015, numa entrevista coletiva em São Paulo. O número de caminhões vendidos (6.722) foi 64% inferior ao de 2014 (18.832). E o de ônibus despencou 49%, de 1.706 para 864. Na área de caminhões, o fundo do poço ainda não chegou. A Volvo prevê que o segmento de pesados e semipesados, do qual é líder, ainda vá retrair 15% em 2016.
Tudo indica que, em breve, haverá novas demissões na fábrica de Curitiba, já que um acordo entre a montadora e o sindicato dos trabalhadores prevendo estabilidade no emprego se encerra dia 30 de março. No ano passado, a Volvo já havia desligado 600 funcionários. "Trabalhamos com um excedente de 15% (do quadro de pessoal). Vamos conversar com o sindicato para nos ajustarmos diante da nova realidade", afirma o presidente interino do grupo, Carlos Morassutti.
Ele se mostra cauteloso ao falar do assunto. "Não posso dizer que haverá dispensa, nem que não existe essa possibilidade". No momento, a fábrica está em férias coletivas de duas semanas. Segundo o presidente, plano de demissões voluntárias (PDV) e redução de salários também são possibilidades. "Não está nada definido", ressalta, complementando que a decisão depende da negociação com o sindicato.
O diretor de Caminhões da Volvo, Bernardo Fedalto, diz que 2015 serviu como um teste para a montadora no Brasil. "Concluímos que as estratégias adotadas há dez anos estavam corretas." A afirmação está relacionada aos fatos de que, apesar da crise, a marca mantém a liderança no segmento de caminhões pesados e semipesados e de que o País continua sendo o segundo maior mercado para a montadora, atrás apenas dos Estados Unidos. O grupo investiu US$ 800 milhões nos últimos anos na planta de Curitiba.
Se a situação no Brasil é complicada, a montadora sueca respira aliviada porque 2015 foi um ano bom nos demais mercados, principalmente nos Estados Unidos. "Quando olhamos para o mundo, a situação melhorou muito", declara o presidente. Ele ressalta que, desde 2008 – início da crise financeira internacional – até 2014, o Brasil ajudou a Volvo a compensar a retração nas vendas dos países mais ricos. "Entregamos muitos resultados para o Grupo Volvo nesses anos. Agora é nossa vez de nos beneficiarmos desse guarda-chuva (referindo-se à solidez internacional da empresa)."

Alternativas
A Volvo América Latina aposta em mercados vizinhos e em novos produtos para minimizar os prejuízos. No ano passado, a exportação de ônibus da marca para o Peru, por exemplo, aumentou em 11%. "Fora do Brasil, estamos com mais pedidos de negócios neste início de ano do que no mesmo período do ano passado", explica o presidente da Volvo Bus Latin America, Luís Carlos Pimenta. Ele conta que, neste segmento, a crise no mercado brasileiro começou em 2013, quando aconteceram os protestos populares, com ônibus sendo queimados e apedrejados. "Essas manifestações levaram a uma baixa de tarifas artificiais (no transporte coletivo) que vem penalizando os operadores de ônibus urbanos. No ano passado, a crise se aprofundou, mas houve melhora nos outros mercados da América Latina", afirma.
Ainda em 2016, a Volvo passará a fabricar em Curitiba motores industriais de 13 litros, que são utilizados em geradores de energia. "Existe um deficit de energia no País, mesmo com o desaquecimento econômico e com as novas usinas hidrelétricas", justifica o vice-presidente da Volvo Penta para América do Sul, Gabriel Barsalini. A empresa já vendia o motor, importado da Europa. A previsão é fabricar 400 unidades somente neste ano. A Volvo Penta também atua no mercado de motores marítimos e, segundo Barsalini, não houve queda nas vendas para barcos de lazer. "Mantivemos o volume de vendas neste mercado de luxo."

O repórter viajou a convite da Volvo.

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