Volvo demite 100 e anuncia processo de reestruturação
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quarta-feira, 09 de dezembro de 1998
Carmem Murara 
A montadora Volvo - empresa instalada na Cidade Industrial de Curitiba - confirmou ontem a demissão de 100 trabalhadores até o final do ano, sendo que 40 funcionários dos setores da linha de montagem e administração foram demitidos ao longo do dia. A redução no quadro de pessoal faz parte de uma estratégia mundial para reduzir gastos. Com o corte de operários no final de outubro, a Volvo fecha o ano com redução de 10% nos postos de trabalho. A meta da empresa é partir para uma reestruturação interna, que vai reduzir pela metade os cargos de chefia e instituir formas alternativas de remuneração salarial.
A proposta inicial de demissão atingiria até 200 funcionários, afirmou o diretor de Recursos Humanos da Volvo, Carlos Morassuti. A empresa chegou a receber um comunicado da matriz, instalada na Suécia, avisando que todas as filiais teriam de reduzir os gastos. Não foram fixadas metas específicas, mas somos obrigados a nos ajustar às metas mundiais, disse Morassuti. A Volvo tem 1.412 funcionários, nos setores administrativo e a fábrica, 400 a menos em relação ao início de 1996, quando as vendas estavam aquecidas e a empresa trabalhava em dois turnos.
O número de demitidos foi determinado após um acordo com a Comissão de Fábrica da montadora. Os funcionários aceitaram reduzir alguns benefícios adquiridos, como, por exemplo, a eliminação de um vale-alimentação de R$ 60 para os 460 empregados que ganham acima de R$ 2 mil. Todos os funcionários passam a pagar R$ 5 a mais, totalizando R$ 20, pelo transporte coletivo até a fábrica, sendo que a Volvo vai cortar ainda três das 36 linhas especiais existentes. A alimentação diária, servida no refeitório da empresa, passará de R$ 0,80 para R$ 1,30.
Outra alteração acertada no acordo entre a diretoria e os empregados diz respeito ao Banco de Horas - sistema pelo qual o funcionário acumula horas trabalhadas a mais ou fica em casa e repõe o tempo parado quando a produção for retomada. Em vez de zerar o saldo do banco a cada quatro meses, esse procedimento será feito após um ano. Até o limite de 20 horas negativas, o empregado fica devendo horas para a empresa e, o que passar disso, a empresa perde, afirmou o diretor de Recursos Humanos.
O coordenador da Comissão de Fábrica, Nelson Silva de Souza, disse que a proposta oferecida pela empresa foi aceita pelos funcionários. Dentro da situação econômica atual, sabemos que não poderíamos evitar o enxugamento, afirmou. Ele reconheceu que poderá haver novos cortes, em março. A partir do dia 21 de dezembro a Volvo entra em férias coletivas até o dia 4 de janeiro. Deve ocorrer um novo período de férias coletivas no início de fevereiro.


