São Paulo - A decisão do governo de cobrar 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) dos investidores estrangeiros que entram na Bolsa já afeta os volumes negociados com ações no mercado brasileiro, afirmou ontem o presidente-executivo da BM&FBovespa, Edemir Pinto. Desde o início da cobrança do imposto, R$ 2,2 bilhões de capital externo deixaram a bolsa, de acordo com o executivo.
''Estamos perdendo muitas operações'', afirmou aos jornalistas, após a cerimônia que marcou o início das negociações com as ações da Cetip. O executivo observou que a saída desses recursos ocorre simultaneamente ao aumento expressivo nos negócios com recibos de ações (ADRs) em Nova York.
Segundo Edemir, o aumento no giro da bolsa após a medida reflete o fechamento de posições de estrangeiros, que venderam os papéis que detinham. Ele comparou a situação atual do mercado aos dias que sucederam a quebra do banco Lehman Brothers, em setembro do ano passado. ''Tivemos um volume espetacular naquele mês, mas que depois chegou a cair 60% em novembro e dezembro.''
O presidente da BM&FBovespa contemporizou as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que afirmou que a bolsa estaria ''reclamando de barriga cheia''. Questionado sobre o assunto, ele avaliou que o ministro deveria estar se referindo à valorização do Ibovespa ao longo de 2009 e pelo fato de a bolsa antecipar os movimentos da economia. Sob esse ângulo, Edemir classificou a afirmação de Mantega como ''feliz''.
Sobre as negociações para a parceria com a bolsa norte-americana Nasdaq, o executivo afirmou que espera a implementação de pelo menos uma parte do acordo no primeiro semestre de 2010. ''Esperamos que o acesso dos investidores da Nasdaq às ações brasileiras seja possibilitado nesse prazo.'' Segundo Edemir, no momento a bolsa planeja os investimentos necessários para viabilizar a parceria. Esses números serão apresentados junto com o orçamento da BM&FBovespa para 2010, que deve ser fechado no próximo dia 10 de novembro.
ADRs
O presidente do Banco do Brasil (BB), Aldemir Bendine, afirmou ontem que, em 15 a 20 dias, a instituição estará pronta para a emissão de ADRs (recibos de ações de empresas brasileiras negociadas na bolsa de Nova York). Segundo Bendine, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizou a operação na quinta-feira, e o Banco Central o fez na segunda-feira. O presidente do BB disse que o lançamento ocorrerá no momento em que o banco julgar mais apropriado, mas a ideia é fazer a operação ainda este ano. ''O cenário para emissão de papéis brasileiros está extremamente positivo'', afirmou, lembrando do lançamento recente de bônus perpétuos.

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