Volume deve ser recorde este ano, mas cai em 99
O investimento estrangeiro direto (IED) global está a ponto de romper recordes em 1998, apesar da crise financeira asiática e da redução do crescimento mundial, segundo o relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (CNUCED). Os IED (investimentos não financeiros, como por exemplo fábricas e equipamento construído por multinacionais) podem se situar em US$ 430 ou US$ 440 bilhões em 1998.
Em 1997 esses investimentos subiram 19%, até US$ 400 bilhões, segundo a CNUCED. A maior parte do crescimento dos IED se centrará nos países industrializados, na América Latina e Europa Central e Oriental, assinalou o relatório. Em 1997, América Latina e Caribe foram as regiões em vias de desenvolvimento que mais IED captaram do exterior, no total US$ 56 bilhões.
Mas continuam sendo os países mais desenvolvidos os que recebem mais investimento em cifras globais, e são os Estados Unidos que recebem maciçamente esse fluxo: US$ 91 bilhões em 97.
No Brasil, os investimentos estrangeiros diretos devem sofrer uma redução no próximo ano, alcançando os US$ 18 bilhões, segundo análise do economista Octávio de Barros, diretor da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet). O prognóstico de Barros é de que o Brasil deve conquistar em 98 mais uma posição na classificação, ultrapassando a França para chegar ao quarto lugar.
Segundo dados da Sobeet, o fluxo de investimentos diretos estrangeiros no Brasil em 97 deve ser de US$ 22 bilhões, o que representaria 5,11% de todo o fluxo mundial. No relatório divulgado ontem, o Brasil ficou no quinto lugar entre os países que mais receberam investimento direto estrangeiro em 1997, com US$ 16,3 bilhões, o que representa participação de 4,08%. Noventa e oito foi o ano de pico de investimento no Brasil, afirmou Barros. Em 99, deve haver um decréscimo, mas nada a ver com a crise, só um esgotamento porque as privatizações previstas são menos expressivas, acrescentou.





