Volume de serviços recua 2,3% no Paraná no semestre
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terça-feira, 14 de agosto de 2018
Fábio Galiotto<BR> Reportagem Local 
O volume de serviços prestados no Paraná recuou 2,3% no acumulado de janeiro a junho, na comparação com o mesmo período do ano passado, conforme a PMS (Pesquisa Mensal de Serviços) divulgada nesta terça-feira (14) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado é mais fraco do que a média nacional e é puxado pelas atividades de informação e comunicação (-8,1%) e de serviços profissionais, administrativos e complementares (-7,0%), que indicam que a insuficiente geração de empregos prejudica a renda familiar e o consumo.
Por outro lado, o grupo de transportes teve alta de 2,4% no primeiro semestre do ano no Estado. O segmento é representativo no índice médio paranaense devido ao grande número de empresas e à necessidade constante de deslocamento de produtos do agronegócio pelas estradas e portos paranaenses. Com menor peso, houve alta de 6,3% em outros serviços, que envolvem atividades imobiliárias, administração de condomínios, manutenção de veículos ou equipamentos e atividades financeiras, entre outros.
Também relevante, os serviços prestados às famílias recuaram 0,5% nos primeiros seis meses de 2018. Apesar da queda, que reflete principalmente a redução do consumo em bares e restaurantes no período, houve retração menor do que na média do País (-2,0%) no mesmo período, segundo o IBGE.
Na média nacional, o volume aumentou 0,9% no primeiro semestre. Houve alta de outros serviços (2,7%) e do grupo transportes (0,7%), com quedas na prestação às famílias (-2,0%), informação e comunicação (-2,0%) e atividades profissionais, administrativas e de correio (-2,1%).

RECUPERAÇÃO LENTA
O diretor presidente do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), Julio Suzuki Junior, afirma que é importante observar o resultado dos serviços prestados às famílias, além de comunicação e informação. "A economia se recupera lentamente no País como um todo e famílias e empresas fazem cortes para racionalizar gastos", diz. O menor consumo em restaurantes e a substituição de planos de assinatura de TV a cabo por alternativas mais baratas são exemplos que impactam, respectivamente, nas duas atividades citadas por Suzuki.
Ele considera que o Paraná tem uma taxa de desocupação de 9,6% no primeiro trimestre, melhor do que os 13% do País. Porém, considera que a recuperação do crédito continua a patinar e dificulta uma retomada concreta. "Esperávamos um desempenho melhor, mas episódios como a greve dos caminhoneiros e a expectativa dos empresários sobre as eleições afetam esse quadro", diz Suzuki Junior.
Na mesma linha, o professor de economia Lucas Dezordi, da Universidade Positivo em Curitiba, afirma que o mercado de trabalho é muito influenciado pelos serviços, que, junto ao comércio, representam mais de 60% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. "O que preocupa é que atividades essenciais como alimentação fora do lar e hospedagem caíram muito, o que mostra que o consumidor está com dificuldades de estabelecer o mesmo nível de demanda de outros períodos", cita Dezordi, que também atua na Valuup Consultoria. "Nossa expectativa é de alta do PIB e do PIB de serviços em 1,5% cada, neste ano, mas isso se mantivermos os juros baixos. O cenário internacional está complicado e influencia, com Turquia e Argentina elevando juros recentemente."
Conforme análise da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), o setor de serviços é o que tem enfrentado a maior dificuldade de se recuperar da recessão e a maior parte das receitas geradas tem origem na prestação de serviços entre as empresas. Mesmo assim, diante da recuperação em junho frente a maio, quando houve impacto forte da greve dos caminhoneiros, a entidade revisou a previsão anterior do PIB de serviços de -1,3% para -0,5%. no ano.


