Brasília - O volume de falsificações de cédulas do real registradas pelo Banco Central (BC) em 2005 caiu 34% em comparação ao ano anterior. Para melhorar este número, o BC assinou ontem com os Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) um convênio de cooperação para treinar os servidores dos Correios a reconhecer características do real e a identificar notas e moedas suspeitas de falsificação.
Pelo convênio, os funcionários das agências de Correios serão treinados a identificar as notas de real e, em contrapartida, o BC vai usar as agências para distribuição de folhetos e cartazes com alertas sobre as falsificações.
Em 2004, a falsificação do dinheiro brasileiro somou R$ 487,646 milhões, de acordo com registros do BC. Neste ano já foram identificados R$ 317,431 milhões em dinheiro falso, principalmente em notas de R$ 50,00 e de R$ 10,00.
O convênio foi assinado pelos diretores de Administração do BC, João Antonio Fleury Teixeira, e de Recursos Humanos da ECT, Virgílio Brilhante Sirimarco. O dirigente do BC ressaltou a importância da campanha ''Como Reconhecer Cédulas e Moedas Legítimas'', e disse que o fato de a ECT estar presente em todos os municípios do País favorece que o esclarecimento chegue também aos cidadãos que não têm acesso à grande mídia.
Inicialmente, a Universidade Correios pretende formar 25 mil servidores da ECT na identificação de dinheiro, usando material didático fornecido pelo BC, e levar essas informações ao cidadão comum, através de cartazes e projeções de filmetes, de modo a que o cidadão possa reconhecer as falsificações. ''Com isso, cumprimos também nossa função social de bem informar'', acrescentou Fleury.
Dentre os esclarecimentos consta o simples ato de levar a cédula contra a luz para observar a marca d'água no papel da nota. O diretor do BC assegura que 97% das cédulas falsas não têm essa identificação, porque são feitas em papel comum. Fleury acrescentou que as falsificações são feitas, na grande maioria, no próprio país, mas há identificação de falsificações também em países vizinhos como Paraguai e Colômbia.
Segundo o diretor do BC, há uma tendência forte de queda do número de dinheiro falso no país desde 2003. Ano em que o BC registrou o recorde de R$ 534,519 milhões em cédulas e moedas falsas. A redução, no seu entender, é fruto das campanhas de esclarecimento e da forte presença da Polícia Federal na apreensão de dinheiro ilegítimo e da prisão dos falsificadores.
Para o diretor de Recursos Humanos da ECT, o passo inicial do convênio será a formação de pessoal nas dez capitais em que o BC tem sedes, e a partir daí dar treinamento remoto para os demais funcionários, além de divulgar a campanha Brasil, aproveitando a rede de mais de 5 mil agências dos Correios, nas quais passam mais de 10 milhões de pessoas por semana. Só o Banco Postal, que opera nessas agências, conta com mais de 4 milhões de contas.

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